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Brasil/Manifestações

Autoridades foram surpreendidas pelos protestos, diz Le Monde

Manifestante pula catraca no metrô de Brasília, 19 de junho de 2013.
Manifestante pula catraca no metrô de Brasília, 19 de junho de 2013. REUTERS/Ueslei Marcelino

A edição de sexta-feira do Le Monde, com data de 21 de junho de 2013, analisa a onda de protestos no Brasil. O jornal constata que as autoridades brasileiras foram pegas de surpresa pela força do movimento popular contra o aumento das passagens de ônibus. Apesar de 15 cidades brasileiras terem voltado atrás e cancelado o reajuste, o vespertino francês acredita que os protestos vão continuar.

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Para explicar aos leitores o que está ocorrendo no Brasil, o Le Monde entrevistou Hervé Théry, geógrafo francês, professor do CNRS e da USP, e um dos maiores especialistas nas desigualdades brasileiras. O geógrafo estima que a onda de protestos supera a questão do reajuste das passagens de ônibus. "Cerca de 80% da população brasileira vive nos centros urbanos e eles são um concentrado de desigualdades. As pessoas são atraídas pelos empregos que as cidades oferecem, mas nelas falta infraestrutura, transporte, saneamento básico e moradia", diz Théry, acrescentando que o sistema de transporte público no Brasil é "saturado e arcaico". 

O geógrafo destaca que o fato de o PT ter utilizado o tema dos transportes como um cavalo de batalha da campanha municipal em São Paulo, e logo em seguida ter reajustado os preços, criou um sentimento de indignação na população. "Existe um verdadeiro abismo entre pobres e ricos no Brasil, um dos países mais desiguais do mundo. Enquanto na Europa, a disparidade entre as classes sociais varia de 1 a 5, no Brasil vai de 1 a 100", afirma Théry.

O geógrafo explica que a ocupação urbana no Brasil é muito diferente do modelo da China e da Índia. "O Brasil está mais próximo do modelo norte-americano, em que os ricos vão para longe do centro, fugindo dos pobres." Ele conta o fenômeno de Alphaville, construída nos anos 1970, perto de São Paulo, um gueto da classe média alta paulistana. "Alphaville é copiada em todo o país", sublinha Théry.

O Le Monde ouviu vários brasileiros engajados nas manifestações e conclui que o movimento não deve arrefecer nos próximos dias. Diogo Grael, de Niterói, estudante de administração, conta que pela primeira vez ele está vendo os brasileiros unidos, "sem que seja por causa do carnaval ou do futebol". Segundo Grael, "falta muito a fazer para combater a corrupção e ter um serviço público de qualidade no Brasil".

Caio Martins, 19 anos, militante do Movimento Passe Livre, defende a gratuidade nos transportes. "Se eles podem aumentar a tarifa e em seguida voltar atrás, isso significa que as autoridades podem fazer muito mais", argumenta Martins. 

"As pessoas estão experimentando a democracia direta, não tem mais retorno", diz Theresa Williamson, urbanista carioca da rede RioOnWatch, ouvida pelo Le Monde.

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