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Educação/OCDE

Brasil melhora, mas ainda é um dos últimos em ranking de educação

O exame da OCDE avalia o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
O exame da OCDE avalia o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Flickr/AEMTG

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) publicou nesta terça-feira, 3 de dezembro de 2013, em Paris, os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla em inglês) 2012. O Brasil continua abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências, mas registrou progressos desde a última avaliação, em 2009. Países asiáticos ocupam os primeiros lugares do ranking, liderados por Xangai.

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O Brasil se tornou este ano membro do conselho diretor do PISA, um dos principais programas da OCDE. Aplicado a cada três anos, o exame avalia o sistema educativo de 65 países. Ele mede o conhecimento de leitura, matemática e ciências de estudantes de 15 anos matriculados no ensino fundamental.

O número de países que participam do exame aumenta a cada edição. Na primeira avaliação, em 2000, eles eram apenas trinta.

Em 2009, o Brasil obteve média de 401 pontos e ocupou o 53° lugar do ranking. Este ano a média foi de 391 pontos, o que garantiu ao país o 58° lugar.

No entanto, a OCDE nota em seu relatório que o Brasil foi o país que mais progrediu em matemática desde 2003, passando de 356 para 391 pontos. A performance dos estudantes em ciências e leitura também melhorou significativamente.

O documento aponta ainda que a proporção de adolescentes de 15 anos matriculados na escola aumentou de 65% em 2003 para 78% em 2012. O ambiente escolar também se tornou mais favorável ao aprendizado em dez anos e os estabelecimentos escolares puderam atrair professores mais qualificados.

A OCDE alerta, porém, que os índices de reprovação ainda são altos no Brasil, sobretudo entre os estudantes mais pobres, e estão associados de forma negativa à performance em matemática. A entidade recomenda que o país encontre maneiras para motivar os estudantes e evitar o abandono escolar.

Receita do sucesso

Xangai participou do programa pela primeira vez em 2009. Três anos mais tarde, o país obteve resultados bem acima da média dos 34 países da OCDE (494 pontos), com 613 pontos. O avanço corresponde a quase três anos de aulas de matemática a mais em relação à média, a mais de um ano e meio de leitura, e a mais de três trimestres de ciências.

Hong Kong, Cingapura, Taipei, Coreia do Sul, Macau e Japão seguem Xangai no topo do ranking. Os sistemas educativos asiáticos funcionam bem porque "exigem muito dos alunos. Há uma cultura da educação: pais, crianças, professores, todo mundo trabalha no mesmo sentido", explica Eric Charbonier, especialista da educação na OCDE.

Ele acrescenta que há "a ideia de sempre melhorar, corrigir seus pontos fracos e colocar as crianças nas melhores condições para aprender". A formação dos professores também é a chave do sucesso de todos os países que progrediram na classificação, segundo ele.

Brasil, Colômbia, Estônia, Israel, Japão e Polônia, que progrediram, "adotaram políticas para ter professores mais qualificados com a exigência de diplomas de ensino, estímulos para atrair os melhores estudantes para essa profissão, aumentos de salário e encorajamento à formação contínua dos docentes", indica o relatório da OCDE.

Durante a última década, o PISA "se tornou a principal medida para avaliar a qualidade, a equidade e a eficácia dos sistemas escolares", enfatiza o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, na apresentação do texto. O estudo permite "a governos e educadores identificarem políticas eficazes que eles podem adaptar aos contextos locais".

O texto aponta que apesar de a França estar na média da OCDE, com 495 pontos (25° lugar), as desigualdades escolares aumentaram desde 2003, com uma menor probabilidade de sucesso para os alunos mais pobres.

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