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Brasil/eleições 2014

Tanto Aécio quanto Dilma teriam começo de mandato complicado, diz S&P

A presidente Dilma Rousseff e o candidato à presidência Aécio Neves.
A presidente Dilma Rousseff e o candidato à presidência Aécio Neves. Montagem/RFI

Quem quer que saia vencedor das urnas no próximo dia 26 de outubro vai enfrentar um cenário econômico complicado no começo de 2015. Essa é a avaliação da agência de notação de risco Standard and Poors. Segundo Lisa Schineller, diretora do Departamento de Dívida Soberana da América Latina, em Nova York, nem Dilma Rousseff (PT) nem Aécio Neves (PSDB) terão muita margem de manobra.

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Nos debates e ao longo de toda campanha, os presidenciáveis prometem empenho para contornar um dos principais problemas da economia brasileira atualmente: a combinação de inflação em alta – 6,5% no acumulado de 12 meses em agosto - e baixo crescimento econômico - a alta do PIB não deve superar 1% neste ano.

A presidente Dilma Rousseff promete mudanças na equipe econômica no segundo do mandato. Já o candidato Aécio Neves chegou a anunciar seu ministro da Economia seria Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas, para Lisa Schineller, as palavras e os discursos bem-intencionados têm pouco impacto diante de um cenário global difícil.

“Qualquer que seja o resultado, não esperamos um crescimento econômico forte no ano que vem. A China está crescendo mais lentamente, toda a economia mundial está mais lenta. No âmbito interno, também há os problemas macroeconômicos e uma possibilidade de racionamento de energia. Ou seja, em nenhuma hipótese, vemos um crescimento robusto em 2015 . Esperamos, na verdade, crescimento baixo por mais alguns anos. Foi justamente a combinação desses fatores com problemas relativos à política fiscal que nos fez rebaixar a nota do Brasil ”, avalia Lisa Schineller.

Economia global em baixa afetará o mandato do próximo presidente

A agência rebaixou a nota do Brasil em março deste ano e colocou a perspectiva em “estável”. Isso significa que não haverá um downgrade a curto prazo. Mas os desafios para o próximo presidente - ou próxima presidenta - são grandes.

“Os dois candidatos têm seus pontos fortes e fracos, mas ambos têm os mesmos desafios. O principal deles será o de avançar na agenda de reformas, reduzir o complicado cenário tributário, o custo Brasil e melhorar a infraestrutura. Claro que houve progressos nessa área, mas ainda há muitos problemas. A questão do abastecimento de energia também voltou à tona recentemente. Em resumo, esses problemas já são antigos, mas ainda persistem”, argumentou a economista.

Formar uma base governamental sólida será um desafio

Embora o tucano afirme ser o candidato preferido dos mercados e o mais bem preparado para dar um novo gás para a economia brasileira, Lisa Schneller aponta que, caso Aécio seja eleito, ele não conseguirá fazer nenhum passe de mágica. As dificuldades internas no governo também seriam importantes.

“Ele poderá se beneficiar do fato de ter uma equipe econômica forte e acenar com mudanças, o que agrada ao mercado. Mas o PSDB poderá enfrentar uma oposição extremamente organizada e terá que encontrar um lugar para o PMDB. Também não está claro se ele poderá contar com o PSB e a base de Marina Silva. Ou seja, formar uma coligação sólida é um desafio para todos”, pondera.

No caso da vitória de Dilma Rousseff, a presidente terá que ter muito jogo de cintura para assegurar um novo mandato. “Ela terá muitas dificuldades nesse segundo mandato. Ela já afirmou que vai mudar a sua equipe, mas ela é bastante controladora no que se refere à política econômica. Ela também vai ter que trabalhar a sua base de aliados de uma forma mais eficiente de que no primeiro mandato. E, num segundo mandato, quando o capital político é mais baixo, ela vai ter que trabalhar melhor essa base”, avalia Lisa Schineller.

Para os candidatos, o recado da Standard and Poors está dado: não haverá lua de mel no começo de mandato. Nem para quem parece mais simpático aos olhos dos mercados.

 

 

 

 

 

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