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Arte/nazismo

Obras valiosas que nazismo tirou de judeus são achadas em Munique

As autoridades alemãs descobriram num apartamento de Munique uma coleção de arte no valor de um bilhão de euros.
As autoridades alemãs descobriram num apartamento de Munique uma coleção de arte no valor de um bilhão de euros. REUTERS/Michaela Rehle

Quase 1.500 quadros de artistas como Picasso, Matisse e Chagall, foram descobertos no apartamento de um octogenário em Munique, Alemanha. As obras foram confiscadas por nazistas ou vendidas por judeus perseguidos, segundo a revista Focus alemã.O valor das telas chega a €1 bilhão.

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O caso já era conhecido da polícia desde 2011, mas nunca tinha sido divulgado até a reportagem da imprensa alemã no final de semana. As autoridades alemãs admitem que estão trabalhando no caso há meses. O tribunal de Augsburg, recusando fazer qualquer comentário nesta segunda, anunciou uma coletiva de imprensa para terça.

O valor estimado das obras, que incluem outros grandes mestres do século 20, como os alemães Emil Nolde, Franz Marc, Max Beckmann e Max Liebermann, é de um bilhão de euros.

Segundo a revista, o pai do idoso era um famoso colecionador, Hildebrand Gurlitt, que comprou os quadros, desenhos e esboços nas décadas de 30 e 40. Ele teria adquirido as obras a partir de confiscos nazistas ou de judeus em fuga, por preços irrisórios. Outra teoria é de faziam parte do que os nazistas chamavam de “arte degenerada”, que ia contra os padrões da arte oficial apreciada por Hitler. Censurados e confiscados, depois eram revendidos pelos nazistas.

Gurlitt, que não tinha a princípio a estima dos nazistas por ter uma avó judia, tornou-se indispensável ao 3° Reich por causa de seus contatos e conhecimentos artísticos. Ele chegou a ser encarregado por Joseph Goebbels, ministro da propaganda, de vender exemplares “de arte degenerada” expostos em museus alemães, para outros países.

Depois da guerra, Gurlitt se defendeu da proximidade com os nazistas, colocando sua origem judia em destaque e a não filiação a organizações nazistas. Ele afirmou também ter ajudado judeus em fuga e artistas perseguidos ao comprar seus bens.

Durante 50 anos, o filho de Gurlitt, Cornelius, um solitário sem profissão, manteve os quadros guardados em um apartamento sombrio e sujo. Ele sobrevivia com a venda ocasional de quadros. O comportamento estranho levantou suspeitas, até que a polícia fez uma busca no apartamento e descobriu os quadros.

 

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