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Mostra/Niki de Sainte Phalle

Paris recebe retrospectiva de Niki de Saint Phalle

"Niki de Saint Phalle", no Grand Palais.
"Niki de Saint Phalle", no Grand Palais. @Peter Whitehead

Ela foi bela, rebelde, visionária, feminista e irreverente. Uma das artistas plásticas mais influentes do século 20, a franco-americana Niki de Saint Phalle ganha uma retrospectiva no Grand Palais, de Paris. Quem passa por Paris, dificilmente não vai deixar de ver a fonte Stravinsky, ao lado do Centro Pompidou, o Beaubourg. Niki assina a criação, uma piscina repleta de esculturas giratórias, com o companheiro de longa data, Jean Tinguely. A obra é uma dos cartões-postais da capital francesa.

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Catherine Marie-Agnès Fal de Saint Phalle nasceu em uma família aristocrata em Neuilly-sur-Seine, subúrbio burguês de Paris, em 1930, e adotou o nome artístico de Niki de Saint Phalle. Começou a vida artística como modelo e cantora. Autodidata, ela se inspira no trabalho de Gaudí, Dubuffet e Pollock para se tornar pintora, escultora e cineasta. Niki de Saint Phalle era a única mulher do grupo Novos Realistas, do qual faziam parte artistas como Arman, Yves Klein e Jean Tinguely.

Tiros

Em 1961, Niki realiza a primeira performance da série “Tiros”, que consistia em uma tela branca na frente de vários sacos com tintas coloridas. A partir de tiros de carabina, as tintas explodem na tela. A experiência foi repetida durante vários anos, em vários países, inclusive com participação do público.

Nanás

@ Niki Charitable Art Foundation, All rights reserved

Em seguida, vieram as Nanás, que se tornaram uma espécie de marca registrada de Niki. As primeiras, de tecido e lã, e depois em resina e gesso pintado, surgem em 1965. Elas foram mudando de tamanhos e materiais com o passar dos anos, mas continuaram sempre rechonchudas, coloridas, exóticas e alegres. Camille Morineau, curadora da mostra em Paris, lembra que as Nanás também são guerreiras. “Niki dizia que eram mulheres emancipadas, com corpos dinâmicos, esportivos, que tomam o espaço público levando uma mensagem feminista, num momento em que a França e a Europa não tinham interesse no assunto”.

Brasil

Transitando entre Estados Unidos e Europa, Niki faz pinturas, colagens, gravuras, esculturas monumentais e filmes. Seu trabalho viaja pelo mundo. Em 1997, uma mostra itinerante chega à Pinacoteca de São Paulo. A artista não vem para a exposição, mas doa várias obras, inclusive uma fonte com quatro Nanás se banhando, exposta no pátio da Pinacoteca, como conta Valéria de Mendonça, conservadora chefe da instituição. “À primeira vista, as pessoas vêem o trabalho dela como algo meio surrealista, meio fantástico, mas por trás disso há uma mulher muito interessante, mas sofrida”, diz Valéria.

O lado sombrio e violento da obra de Niki ganha outra leitura com a publicação, em 1994, de seu livro de memórias “Mon Secret” (“Meu Segredo”), onde revela o estupro sofrido quando tinha apenas 11 anos, pelo próprio pai, na época com 35. No final da vida, Niki se dedicou a obras cada vez maiores, para espaços públicos, como o Jardim dos Tarôs (na foto abaixo), na Toscana, Itália. Ela morreu em 2002, nos Estados Unidos, aos 71 anos. A retrospectiva de Niki de Saint Phalle acontece no Grand Palais até o dia 2 de fevereiro de 2015.

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