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Cinema/Brasil

Casa Grande retrata o aprisionamento da sociedade brasileira, diz Le Monde

Cartaz do filme "Casa Grande" que estreia nos cinemas franceses nesta quarta-feira, 3 de junho.
Cartaz do filme "Casa Grande" que estreia nos cinemas franceses nesta quarta-feira, 3 de junho. Divulgação

A edição do jornal Le Monde de quarta-feira (3) traz uma matéria sobre "Casa Grande", o primeiro longa de ficção do diretor Fellipe Barbosa. As disparidades sociais e o consequente enclausuramento da classe alta, além do carisma dos protagonistas desse drama familiar, é o que mais se destaca no filme que entra amanhã no circuito comercial na França.

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O longa conta a história de uma família de novos ricos do Rio de Janeiro, formada pelo casal Hugo e Sônia, vivido por Marcello Novaes e Suzana Pires, e seus dois filhos, Jean e Nathalie, interpretados por Thales Cavalcanti e Alice Melo. Abastados, os quatro vivem em uma imensa casa com piscina, jardim e dependência de empregada, vários domésticos e motoristas. Mas a família é obrigada a cortar os gastos depois que o pai, que trabalha no setor das finanças, faz um mau negócio.

Le Monde aponta que a geografia do filme muda a partir dessa reviravolta na vida do quarteto. Da residência cercada por um imenso portão eletrônico, com detector de movimento e alarme, a ação se estende para bairros e festas populares, até então desconhecidos dos protagonistas. "No Rio, quando se manda a realidade embora pela porta, ela volta pela janela", escreve o jornal.

O grande responsável pelas mudanças na família não é apenas o implacável corte nos gastos e no luxo, mas a mudança de comportamento que esse acontecimento impõe aos personagens, especialmente ao filho adolescente.

Obrigado a abandonar o hábito de ser levado a escola pelo motorista, ele passa a tomar o ônibus. No transporte comum, ele conhece uma garota pobre e mestiça, por quem se apaixona e que vai sacudir o cotidiano pequeno-burguês de "Casa Grande". É aí que o racismo velado da classe média branca brasileira vem à tona, nota o jornal francês.

"Fellipe Barbosa deixa flutuar sua narração com as incertezas de cada um, sobretudo a indeterminação do herói", escreve Le Monde sobre o personagem adolescente. De acordo com o Monde, o diretor não cede nunca à facilidade de opor os integrantes da história, e os inscreve em um regime de leveza que por vezes remete às novelas brasileiras.

O jornal também destaca a evolução incessante da narrativa de Barbosa. A proximidade e a familiaridade que consegue criar entre os protagonistas e o público têm o poder de levar o espectador para além da problemática do social, avalia Le Monde.

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