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Relatório OCDE

Desigualdade nunca foi tão grande nos países ricos, constata OCDE

Imagem feita em Paris: as pequenas aposentadorias levam muitos idosos a procurar restos de comida no lixo.
Imagem feita em Paris: as pequenas aposentadorias levam muitos idosos a procurar restos de comida no lixo. REUTERS/Eric Gaillard

A desigualdade entre ricos e pobres nunca foi tão grande nos países desenvolvidos. A constatação é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem sede em Paris. Em relatório publicado nesta terça-feira (9), a entidade afirma que a renda dos 10% da população mais rica é, atualmente, nove vezes e meia maior do que a renda dos 10% mais pobres nos 34 países que integram a organização.

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O estudo analisou a evolução dos ganhos nos últimos 30 anos. O texto aponta que, em 1980, os mais ricos ganhavam no máximo sete vezes mais do que os mais pobres.

Brasil, Índia e China não fizeram parte do levantamento por não serem associados à OCDE. A entidade reúne a maior parte dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, os integrantes da União Europeia, Austrália e Japão, além de Estados emergentes como México, Chile e Turquia.

Nos 30 anos analisados pelo estudo, os países que apresentaram maior incremento da desigualdade foram Estados Unidos, Finlândia, Israel, Nova Zelândia e Suécia. França, Bélgica e Holanda registraram, no mesmo período, uma pequena variação de renda da população. Por outro lado, Grécia e Turquia conseguiram diminuir o fosso entre ricos e pobres.

Esse aumento da desigualdade afeta o crescimento, alerta a OCDE. De acordo com a organização, a concentração de renda na ponta da pirâmide custou 10 pontos de crescimento ao México e à Nova Zelândia, quase 9 ao Reino Unido, à Finlândia e à Noruega. O prejuízo foi menor, de 6 a 7 pontos de recuo do PIB, para Estados Unidos, Itália e Suécia.

Educação é prejudicada

Segundo a OCDE, o impacto negativo das desigualdades sobre o crescimento decorre do hiato que separa os 40% com rendimento mais modesto do restante da população. Os salários baixos limitam o investimento das famílias em educação, comprometendo a mobilidade social e o desenvolvimento das competências individuais. Para a OCDE, os resultados escolares dos filhos de pais pouco instruídos se deteriora à medida em que as desigualdades de renda são mais pronunciadas. O relatório considera válido utilizar os impostos e mecanismos de distribuição de renda para combater as desigualdades, sem prejuízo ao crescimento.

Os poderes públicos devem concentrar sua ação na ajuda aos 40% mais pobres, recomenda a OCDE, incluindo uma parte da classe média baixa. Além dos programas de combate à pobreza, a organização preconiza mais investimentos em educação, qualificação profissional e assistência médica para manter, a longo prazo, a igualdade de chances.

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