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Grécia/Dívida

Futuro da Grécia na zona do euro está em discussão no Eurogrupo

Funcionário ajeita as bandeiras da Grécia e da Europa na janela da embaixada grega, em Bruxelas, em 19 de fevereiro de 2015.
Funcionário ajeita as bandeiras da Grécia e da Europa na janela da embaixada grega, em Bruxelas, em 19 de fevereiro de 2015. REUTERS/Yves Herman

Pela terceira vez em dez dias, os ministros das Finanças da zona do euro (Eurogrupo) vão se reunir em Bruxelas, nesta sexta-feira (20), para tentar fechar um acordo sobre o refinanciamento da dívida da Grécia. O plano de resgate em vigor chega ao fim no dia 28 de fevereiro e Atenas precisa de um novo empréstimo para evitar a falência.

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Ontem, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, enviou uma carta ao Eurogrupo pedindo a extensão, por seis meses, do plano de apoio financeiro a Atenas. A solicitação foi considerada uma concessão dos novos dirigentes gregos, que assumiram o governo no final de janeiro com uma proposta radical de não mais aceitar empréstimos do trio de credores formado pelo FMI, o Banco Central Europeu e os governos da União Europeia.

A Comissão Europeia e o governo da França acolheram bem a proposta, mas a Alemanha considerou insuficientes as garantias fornecidas por Atenas. O ministro da Economia alemão, Wolfgang Schauble, teme que o governo grego de extrema-esquerda não cumpra os compromissos assumidos por governos anteriores e permita o aumento no rombo das contas públicas gregas. Uma exceção feita à Grécia poderia comprometer os esforços de austeridade fiscal empenhados por outros países da união monetária.

 

O impasse é político. Ontem, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, enviou uma carta ao Eurogrupo pedindo a extensão, por seis meses, do plano de apoio financeiro a Atenas. A solicitação foi considerada uma concessão dos novos dirigentes gregos, que assumiram o governo no final de janeiro com uma proposta radical de não mais aceitar empréstimos do trio de credores formado pelo FMI, o Banco Central Europeu e os governos da União Europeia. A Comissão Europeia e o governo da França acolheram bem a proposta, mas a Alemanha considerou insuficientes as garantias oferecidas por Atenas.

 

O ministro da Economia alemão, Wolfgang Schauble, teme que o governo grego de extrema-esquerda não cumpra os compromissos assumidos por governos anteriores e permita o aumento no rombo das contas públicas gregas. Uma exceção feita à Grécia poderia comprometer os esforços de austeridade fiscal empenhados por outros países da união monetária.

Portugal, que também recebeu ajuda financeira europeia, fez cortes draconianos em seu orçamento, mas optou por reembolsar sua dívida e concorda com as exigências da Alemanha. A ministra das Finanças portuguesa, Maria Luis Albuquerque, disse nesta manhã que aceita discutir com o governo grego ajustes no pacote atual, mas não aceita assinar um contrato novo com condições de reembolso fixadas fora do programa de austeridade.

Briga de galo nos bastidores

Nos bastidores, diplomatas que acompanharam a estreia do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na cúpula de líderes europeus na semana passada, dizem que Angela Merkel não deu a menor colher de chá ao jovem dirigente grego. Tsipras propôs congelar por tempo indeterminado o reembolso de uma parte da dívida grega e chegou a cobrar da Alemanha o reembolso de dívidas da Segunda Guerra Mundial. Para Berlim, as reivindicações da Grécia são inaceitáveis.

Um participante que presenciou as conversas entre o ministro alemão Schauble, "homem de ferro" da zona do euro, e o impetuoso Varoufakis, jovem ministro grego das Finanças, descrevem um "combate viril entre dois homens". Os diplomatas relatam um choque cultural de visões sobre a Europa.

A Alemanha tem um governo de coalizão entre conservadores e social-democratas, de política econômica liberal e uma situação financeira de dar inveja ao resto do mundo. Na Grécia, após cinco anos de sacrifícios, o país ainda tem pela frente um longo caminho para se dotar de instituições de gerenciamento modernas.

O preço para salvar a Grécia exaspera a Alemanha, escreve hoje o jornal econômico francês Les Echos.

 

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