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Futebol/Egito

Julgamento de réus de tragédia do futebol egípcio continua em 5 de maio

Torcedores do El-Ahly gritam slogans durante protesto no centro de Cairo.
Torcedores do El-Ahly gritam slogans durante protesto no centro de Cairo. REUTERS/Asmaa Waguih

O julgamento de 75 pessoas, das quais nove policiais, consideradas responsáveis pelas violências que deixaram 74 mortos no final de uma partida de futebol em Port-Said, no Egito, começou nesta terça-feira no Cairo. O caso é considerado o maior drama da história esportiva do país.

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Nesta terça-feira, o clima estava pesado em frente ao tribunal. Centenas de torcedores do time Al-Ahly pediam a execução dos réus e a suspensão definitiva do clube rival. Os acusados alegaram inocência pelos crimes de homicídio doloso (quando há a intenção de matar) e de porte de armas.

Emocionados, parentes acompanhavam o julgamento com fotos das vítimas. A audiência foi suspensa duas vezes pelo presidente do tribunal e o processo foi adiado para o dia 5 de maio, quando se iniciam os interrogatórios com as testemunhas do massacre.

O drama

A tragédia aconteceu no dia 1º de fevereiro, na final de um jogo entre os times egípcios Al-Masry e Al-Ahly, um dos mais populares do país. Torcedores do Al-Masry, que vencia por 3 x 1, invadiram o campo e arremessaram pedras, garrafas e fogos de artifício em direção dos adversários, segundo testemunhas. Esse sinal de provocação teria sido o estopim para a desordem. Torcedores de ambos os times iniciaram uma batalha no gramado. Com o fechamento dos portões do estádio, dezenas de pessoas que tentavam fugir da briga acabaram morrendo esmagadas. Mesmo os jogadores se tornaram vítimas da pancadaria, que se estendeu até os vestiários. Segundo os hospitais onde as vítimas foram socorridas, muitas pessoas, entre os mortos e feridos, foram esfaqueadas.

Massacre planejado

O partido Irmandade Muçulmana acredita que o massacre foi uma ação planejada por partidários do ex-presidente Hosni Mubarak. A Irmandade supõe que pessoas contratadas por aliados do ditador estavam infiltradas na torcida e teriam incitado a violência. A ausência de responsáveis políticos no momento do jogo reforçaria o argumento.

O ataque também pode ter sido uma resposta a torcedores do Al-Ahly, protagonistas nos confrontos com a polícia durante a primavera árabe. O episódio foi classificado por Joseph Blatter, presidente da FIFA, como um "dia sombrio" para o esporte.

Polícia na mira da justiça

Uma investigação organizada pelo parlamento egpício questionou a negligência das forças armadas. A polícia também foi considerada como uma das responsáveis pelo massacre, devido à sua falta de reação diante da confusão. Entre os réus do julgamento, que se iniciou nesta terça, nove são policiais, inclusive o chefe de segurança da cidade de Port Saïd.

Colaboração especial de Murilo Salviano
 

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