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Grécia/crise

Risco de calote da Grécia ameaça zona euro

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet recusa que a Grécia deixe de pagar seus empréstimos.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet recusa que a Grécia deixe de pagar seus empréstimos. Reuters

As principais praças europeias fecharam em baixa nesta quarta-feira, em reação ao risco de contágio da crise grega na zona euro. A agência de notação Standard & Poor’s baixou em três níveis a nota do país.

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O diretor do FMI, Dominique Strauss-Khan, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet e o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaube reuniram-se nesta quarta-feira em Berlim para analisar a crise na Grécia. Segundo Strauss-Khan, o pacote de ajuda ao governo grego pode chegar a 120 bilhões de euros em 3 anos.
Em coletiva à imprensa, Trichet disse que existe "uma necessidade absoluta de desbloquear a ajuda para a Grécia. " Ele acrescentou que uma medida de urgência adotada pelo parlamento alemão seria bem vinda. O diretor do FMI também lembrou que tirar a Grécia da crise financeira será um processo muito difícil. "A cada dia perdido, a crise se agrava. Se tudo se decidir logo, estou confiante que os problemas serão resolvidos. Mas se não decidirmos nada para a Grécia, haverá muitas consequências para a União Europeia", disse Strauss-Khan. De acordo com ele, a confiança na zona euro está ameaçada. Nesta quarta-feira, o premiê Georges Papandréou pediu aos países europeus que façam o possível para evitar que a crise se propague pela economia europeia e mundial.

O risco da crise financeira da Grécia atingir outros países da zona euro teve efeitos imediatos no mercado financeiro. As principais praças europeias despencaram nesta terça-feira, e fecharam novamente em queda nesta quarta-feira. Em entrevista ao canal de televisão France 2, o secretário grego para a Função Pública, Georges Tron, estimou que existe um risco de contágio da crise grega para o resto da Europa. Segundo ele, é preciso evitar, de qualquer maneira, esse efeito dominó na economia do bloco.

Apesar do compromisso assumido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e a União Europeia, de desbloqueio de um empréstimo de 45 bilhões de euros à Grécia, existe o risco de o país não conseguir pagar uma parte de sua dívida, o equivalente a 8,5 milhões de euros, até o dia 19 de maio. O governo nega. Mas a situação parece se complicar depois que agência de notação Standard and Poor's rebaixou as notas da Grécia e  de Portugal.

A agência abaixou em três níveis a nota da Grécia nesta terça-feira, colocando o país na categoria 'investimentos especulativos.' Os países considerados como bons pagadores são classificados na categoria 'grau de investimento.' O rebaixamento da nota significa que os títulos gregos, muito caros, são dificilmente negociáveis, dificultando o acesso da Grécia aos recursos dos bancos centrais europeus.

Para tentar acalmar os mercados, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, declarou nesta terça-feira em Chicago que não admitirá que a Grécia ou qualquer outro país da zona euro deixe de pagar seus empréstimos. Nesta terça-feira, para evitar o aumento das especulações no mercado financeiro, a bolsa de Atenas proibiu a venda de créditos descobertos, que não estão nas carteiras dos clientes.

A crise na Grécia também será o tema de uma reunião reunião em Berlim, nesta quarta-feira, com a chanceler Angela Merkel, o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.  No dia 10 de maio, dirigentes da zona do euro vão se reunir para aprovar empréstimos à Grécia e analisar a situação do bloco. Os europeus não excluem a possibilidade de excluir o país da zona euro, mesmo que seja temporariamente.
 

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