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Aids/Viena

Crise econômica prejudica luta contra Aids

Apresentação do ex-presidente americano Bill Clinton no segundo dia da conferência sobre a Aids, em Viena.
Apresentação do ex-presidente americano Bill Clinton no segundo dia da conferência sobre a Aids, em Viena. Reuters

No segundo dia do encontro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o dono da Microsoft, Bill Gates, donos de duas das maiores fundações de luta contra a doença, defenderam uma gestão mais eficaz nos fundos de combate ao HIV

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O segundo dia da 18ª Conferência Internacional sobre a Aids, em Viena, foi marcado por palestras de personalidades do mundo político e empresarial que se dedicam ao combate à doença e suas fundações: o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e o fundador da Microsoft, Bill Gates e sua mulher, Melinda. Clinton defendeu uma utilização mais eficaz dos fundos de combate à doença e criticou o excesso de dinheiro gasto em vários países, na organização de reuniões técnicas. Ele propôs uma mudança na estratégia de aplicação dos recursos, que, na sua opinião, deveriam ser transferidos dos organismos internacionais diretamente para os planos nacionais de saúde, principalmente nos países em desenvolvimento.

A ajuda financeira para lutar contra a doença registrou uma queda no ano passado. Segundo um relatório publicado neste domingo, o financiamento dos programas para soropositivos em países pobres foi de 7,6 bilhões de dólares em 2009, 100 milhões a menos do que em 2009. As nações que mais diminuíram seus investimentos são em sua maioria europeias: Alemanha, França, Irlanda, Itália, Holanda e Canadá. Os doadores reclamam da crise financeira mundial, mas a situação da Aids no mundo exige esforços ainda maiores.

Segundo um relatório divulgado no encontro, os países ricos reduziram o financiamento de programas de luta contra a Aids nos Estados pobres no ano passado. O valor total passou para 7,6 bilhões de dólares no ano pasasdo contra 7,7 bilhões em 2008. Em entrevista à RFI, Mariângela Simão, diretora do departamento DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, afirma que o programa de acesso a medicamentos no Brasil não depende desses fundos internacionais.  "A participação do Brasil no evento reflete muito a forma como o Brasil se organiza em torno da resposta à Aids", ressalta.

A doença já matou 25 milhões de pessoas desde a década de 80. A maioria dos 30 milhões de soropositivos mora no hemisfério sul, cerca de 75% na África Subsariana, no centro-sul do continente. A ONU estima que, para lutar contra a Aids, com prevenção e tratamento, seriam necessáarios 25 bilhões de dólares, 11,3 bilhões a mais do que atualmente. Para se ter uma idéia da falta de verbas, dois em cada três pacientes que moram nos países mais pobres não têm acesso ao tratamento antiviral. Segundo o diretor-executivo do Fundo Mundial contra a Aids, Michel Kazatchkine, com a diminuição da ajuda financeira por parte de países desenvolvidos, a esperança agora é depositada nos emergentes. Ele destaca que se a Chinader mais apoio aos programas, o Brasil e a Índia também o farão.

Para Françoise Barré-Sinoussi, co-descobridora do vírus da Aids e pesquisadora do Instituto Pasteur em Paris, o objetivo desta conferência é essencialmente político. "Ela é organizada este ano em Viena porque esta cidade é perto da Europa do Leste, onde há uma epidemia inquietante de vírus HIV entre usuários de drogas. Nesses países a política utilizada é apenas repressiva e nunca funcionou realmente. Esta conferência é então uma boa ocasião para passar a mensagem a estes países e alertá-los para isto, mostrando que existem outras políticas de prevenção que funcionam."

Brasil participa com estande

Cerca de 20 mil pesquisadores, médicos e associações de prevenção estão reunidos até quarta-feira em Viena para discutir meios de reduzir a contaminação e melhorar as condições de vida dos portadores do HIV. Um dos objetivos deste encontro é definir estratégias no sistema de saúde para aumentar o número de despistagens, já que 2/3 dos contaminados desconhecem sua condição de portadores, segundo estimativas da OMS, a Organização Mundial de Saúde. O Ministério da Saúde Brasileiro participa com um estande, onde explica os benefícios do acesso universal ao tratamento antiviral e a política do país no combate à doença, referência no mundo todo. A participação dos brasileiros na Conferência pode ser acompanhada pelo site www2.aids.gov.br.

 

 

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