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União Europeia/Cúpula

Política da França de expulsão de ciganos domina Cúpula europeia

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Romênia, Traian Basescu, na Reunião dos Chefes de Estado em Bruxelas.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Romênia, Traian Basescu, na Reunião dos Chefes de Estado em Bruxelas. Reuters

O braço de ferro entre Paris e Bruxelas deve dominar a reunião dos chefes de Estado e de governo da União Europeia nesta quinta-feira, que originalmente deveria ser dedicada às relações do bloco com seus parceiros estratégicos.

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O primeiro-ministro belga Yves Leterme declarou nesta quinta-feira que a Comissão Europeia deve se assegurar de que a França respeite as regras europeias no que diz respeito às polêmicas expulsões de ciganos. A Bélgica ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco que reúne 27 países.

Mas o primeiro-ministro belga também lançou uma advertência para a comunidade cigana, dizendo que os cidadão europeus devem respeitar o direito de propriedade e as regras que regulam a liberdade de circulação.

Na terça-feira, a Comissão Europeia ameaçou processar a França por violar o direito europeu. A Comissária europeia para a justiça e os direitos fundamentais, Viviane Reding, atraiu reações furiosas do governo francês após fazer declarações de que o tratamento reservado aos ciganos pela França não tinha equivalente desde a Segunda Guerra Mundial.

Paris considerou inaceitável o paralelo feito pela comissária entre as expulsões de ciganos romenos e búlgaros às deportações da guerra.

"Não se deve dirigir desta maneira a um grande país como a França, pátria-mãe dos direitos humanos e país fundador da União Europeia", reagiu Pierre Lellouche, secretário de estado francês para Assuntos Europeus.

O presidente Nicolas Sarkozy colocou mais lenha na fogueira ao sugerir, durante um almoço com senadores no Palácio do Eliseu, que Luxemburgo, país de origem da Comissária Reding, deveria acolher os ciganos.
A chancelaria luxemburguesa respondeu criticando as a declaração do chefe de estado francês de  "maldosa".

Arrependimento

Na noite de quarta-feira Viviane Reding tentou colocar panos quentes na controvérsia ao explicar que tinha sido mal interpretada e que jamais quis comparar a política do governo francês ao que aconteceu na Europa durante a guerra quando foram ciganos foram enviados aos campos de concentração nazistas.

"Lamento as interpretações que desviam a atenção de um problema que precisa ser resolvido", declarou a comissária europeia . "Em nenhum momento quis estabelce um paralelo entre a Segunda Guerra Mundial e as ações atuais do governo francês", acrescentou.

Em comunicado, o Palácio do Eliseu afirmou que tomou nota do pedido de desculpas da comissária Reding em relação às declarações que considerou "escandalosas" dirigidas à França.

A comissária Viviane Reding contou com o apoio pessoal do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que julga necessária a condenação da política francesa para os ciganos.

"A posição da Comissão Europeia é clara. A lei comunitária deve ser respeitada. A proibição de uma discriminação baseada na origem étnica é um valor fundamental e a Comissão Europeia vai fazer tudo que estiver ao seu alcance para garantir o respeito deste princípio ", disse Barroso.

Indignação

Em Bruxelas, o primeiro-ministro francês François Fillon afirmou na noite desta quarta-feira durante encontro com eurodeputados conservadores a posição de Paris sobre os ciganos.

"A Comissão Europeia poderá constatar, a partir das informações que nós vamos fornecer, que nós respeitamos rigorosamente a legislação europeia. O conjunto de decisões que nós tomamos foram feitas sob controle da justiça e é totalmente escandaloso que um membro da Comissão dê declarações como as da Comissária Reding", declarou Fillon.

"A comparação com os fatos ocorridos durante a Segunda Guerra mundial é inverossímil e escandalosa e o julgamento moral sobre a política de um estado não é pertinente. Nós vamos demonstrar nas próximas horas que a França respeita as regras europeias e nacionais", conclui Fillon.

 

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