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União Europeia/ EUA

Embaixadas de países europeus nos EUA eram espionadas, diz jornal

Antigo escritório da Agência Nacional de Segurança em Berlim está abandonado, mas prática de espionagem parece não ter ficado no passado.
Antigo escritório da Agência Nacional de Segurança em Berlim está abandonado, mas prática de espionagem parece não ter ficado no passado. REUTERS/Pawel Kopczynski

Novos dados publicados pelo jornal britânico The Guardian sobre um programa de inteligência americano para espionar a União Europeia indicam que entre os 38 “alvos” monitorados pela Agência Nacional de Segurança americana, estavam as embaixadas de países como França, Grécia e Itália em Washington. Os Estados Unidos prometeram responder através da vias diplomáticas ao pedido de explicações da União Europeia, feito após a publicação de uma reportagem na revista alemã Der Spiegel denunciando o caso, no sábado.

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Os americanos mantiveram o silêncio sobre o caso durante o domingo, enquanto as declarações de repúdio europeias à notícia se multiplicavam. No início da noite, no horário europeu, a Direção Nacional de Inteligência (ODNI) americana declarou que "o governo americano responderá de maneira adequada, por via diplomática e através do diálogo Estados Unidos/União Europeia entre especialistas da inteligência, que os Estados Unidos propuseram instaurar há algumas semanas".

A União Europeia (UE) exigiu neste domingo explicações sobre o programa de espionagem americano denunciado por Edward Snowden, que aparentemente também tomou como alvos as instituições europeias, segundo as últimas revelações sobre o caso. A revista alemã Der Spiegel afirma que a UE era um dos "objetivos" da Agência Nacional de Segurança (NSA) americana, acusada de espionar as comunicações eletrônicas em todo o mundo com o programa PRISM. A delegação europeia na ONU seria monitorada ilegalmente, através não somente de microfones instalados no prédio, como pela invasão eletrônica de emails e documentos internos.

A publicação sustenta as acusações com documentos confidenciais a que teve acesso graças às revelações do ex-consultor americano, Edward Snowden, procurado pela justiça de seu país por revelar informações sobre o programa. Na noite de domingo, foi a vez de o jornal britânico The Guardian publicar uma segunda reportagem, explicando que as atividades de espionagem eletrônica da agência tinham como alvo as embaixadas dos países em Washington e as representações diplomáticas na ONU, em Nova York, num total de 38 “alvos”. O diário também se baseia em documentos fornecidos pelo ex-agente, datados de 2010.

Tentativas de escutas foram feitas nas embaixadas de diversos países aliados dos americanos em Washington, como França, Itália, Grécia, Japão, México, Coreia do Sul ou Índia. O documento não menciona o Reino Unido, a Alemanha ou outros países da europa ocidental.

Indignação

As notícias causaram indignação das lideranças européias. "Entramos em contato imediatamente com as autoridades americanas em Washington e em Bruxelas, apresentamos as informações da imprensa. Nos disseram que estavam verificando a exatidão das informações publicadas e que entrariam em contato", afirma a Comissão Europeia em um comunicado.

A ministra da Justiça da Alemanha, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, cobrou uma explicação imediata. "A parte americana deve explicar imediata e exaustivamente se as informações da imprensa sobre medidas totalmente desproporcionais de interceptação por parte dos Estados Unidos na UE são exatas ou não", disse. "Não podemos conceber que nossos amigos nos Estados Unidos possam considerar os europeus como inimigos", completou. "Se as informações dos meios de comunicação estiverem corretas, isto recorda as ações entre inimigos durante a Guerra Fria."

A França também pediu explicações, através do ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius. "Estes fatos, caso sejam confirmados, seriam totalmente inaceitáveis", disse o chanceler.

A comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, afirmou que "não se pode negociar sobre um grande mercado transatlântico" se existe a menor possibilidade de que os sócios com os quais se está negociando estejam escutando o que se diz "nos escritórios dos negociadores europeus".

O conselheiro adjunto de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Ben Rhodes, se limitou a afirmar na África do Sul, onde acompanha o presidente Barack Obama, que os europeus estão "entre os aliados mais próximos" dos Estados Unidos na área de inteligência.
 

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