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Papa/Vaticano

Entrevista do papa é "revolucionária", diz mídia internacional

O papa Francisco em encontro com cardiais no Vaticano.
O papa Francisco em encontro com cardiais no Vaticano. REUTERS/Osservatore Romano

A entrevista do papa Francisco publicada ontem pela revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica alcançou grande repercussão na mídia europeia nesta sexta-feira. O jornal italiano Corriere della Sera, por exemplo, diz que as declarações do papa são “revolucionárias”.

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Em uma entrevista de 30 páginas divulgada ontem por revistas de ordens jesuítas em todo o mundo, o papa procurou mostrar que defende uma igreja católica mais aberta e disse que a instituição deve acolher homossexuais, mulheres que fizeram aborto e divorciados. "A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível". O papa pediu ainda que os padres “acompanhem” a “situação real” dessas pessoas.

Na visão do papa Francisco, a igreja católica dever ser um “hospital” que trata, com urgência, das “feridas” das vidas das pessoas. O sumo pontífice também dá um alerta. Se a igreja continuar a alijar seus fiéis pode perder a sua relevância. "Essa Igreja com a qual devemos conviver é a casa de todos e não a pequena capela que pode conter somente um grupinho de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o seio da Igreja universal ao ninho protetor da nossa mediocridade", criticou.

O diário International Herald Tribune avalia que essas palavras marcam um “divisor de águas” na Igreja. Lucetta Scaraffia, editorialista do Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, escreve:  “Francisco distingue o pecado do pecador. Ele diz que os homossexuais não são inferiores nem diferentes dos outros. A escolha de como eles devem viver essa homossexualidade faz parte do mistério do ser humano”, ponderou. O jornal italiano La Stampa analisa que “o cristianismo [do papa] não é um puritanismo rígido e sem coração”.

No blog do jornal Le Monde especializado em questões religiosas  Digne de foi, Stéphanie Le Bars escreve: “Essa nova operação de comunicação mundial [do papa] tem o objetivo de definir minuciosamente sua teologia e a sua maneira de fazer as coisas do papa Francisco ». E isso, diz, pode “chocar os meios conservadores”.
 

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