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Espanha/Juan Carlos

Rei da Espanha deixa trono para permitir "renovação" da monarquia

O rei espanhol Juan Carlos anuncia na TV sua abdicação, no Palácio Zarzuela, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014.
O rei espanhol Juan Carlos anuncia na TV sua abdicação, no Palácio Zarzuela, nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014. REUTERS/Spanish National Television via Reuters TV

O rei Juan Carlos, de 76 anos, confirmou em uma mensagem transmitida pela televisão espanhola que abdica do trono em favor de seu filho, o príncipe Felipe, a fim de impulsionar a "renovação" da monarquia em um país em crise. O anúncio da abdicação foi feito um pouco mais cedo nesta segunda-feira (2) pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e pegou os espanhóis de surpresa.

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Aos 46 anos, Felipe, príncipe de Astúrias, deve se tornar o próximo rei da Espanha, com o nome de Felipe 6°. "O príncipe de Astúrias tem a maturidade, a preparação e o senso de responsabilidade necessários para assumir com todas as garantias o comando do Estado e abrir uma nova etapa de esperança, na qual serão combinados a experiência adquirida e o impulso de uma nova geração", declarou Juan Carlos na mensagem transmitida pela televisão estatal.

"Meu filho Felipe, herdeiro da Coroa, encarna a estabilidade, que é a marca de identidade da instituição monárquica", acrescentou ele. "Quando completei 75 anos em janeiro, avaliei que havia chegado o momento de preparar a sucessão a fim de deixar o posto àquele que tem as condições perfeitas para garantir essa estabilidade", explicou Juan Carlos.

Crise econômica

O soberano também lembrou a "grave crise econômica" pela qual o país passa desde 2008. Ela "deixou profundas cicatrizes no tecido social, mas também nos mostra o caminho para um futuro cheio de esperança", disse ele. A Espanha tem um dos índices de desemprego mais altos do mundo industrializado, de quase 26%.

"Tudo isso despertou em nós um impulso de renovação, de superação, de correção de erros", acrescentou o rei, sem fazer uma referência direta ao escândalo judiciário envolvendo sua filha caçula, Cristina, e seu genro, Iñaki Urdangarin.

"Desejo o melhor para a Espanha, à qual dediquei minha vida inteira, e ao serviço da qual coloquei todas as minhas capacidades, meu entusiasmo e meu ardor", declarou ele. Juan Carlos também expressou sua "gratidão" à rainha Sofia, sua esposa, e afirmou que Felipe poderá contar "com o apoio" da princesa Letizia, com quem é casado há dez anos.

A popularidade do rei Juan Carlos foi abalada nos últimos anos por uma série de escândalos. Segundo uma pesquisa realizada em janeiro, 41% das pessoas interrogadas tinham uma opinião "boa ou muito boa" sobre o rei, uma queda de nove pontos percentuais com relação ao mesmo período em 2013. Em março do ano passado, quase seis em cada dez espanhóis (56,9%) já diziam em uma sondagem que o rei deveria abdicar.

Homenagens

O presidente da França, François Hollande, homenageou o rei Juan Carlos. "Artífice da transição após a ditadura franquista, ele conduziu seu país no caminho das liberdades civis e democráticas, da integração europeia e da modernidade", afirmou ele depois de ter conversado com o monarca espanhol na manhã desta segunda-feira.

"Durante quase 39 anos de reinado, Juan Carlos encarnou a Espanha democrática, ao nascimento da qual ele participou de maneira determinante", disse ainda o chefe de Estado francês, em um comunicado divulgado pela presidência.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também elogiou o "arquiteto e defensor da democracia" espanhola. Em um comunicado, ele disse que a Espanha "não teria sido a mesma" sem Juan Carlos. "Pelos valores que ele encarna, Juan Carlos representa para todos os europeus um exemplo que continua a nos inspirar", afirmou Barroso.

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