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Europa/Programa Espacial

Satélites europeus lançados na sexta não atingem órbita prevista

A sonda Soyuz durante o lançamento dos dois primeiros satélites Galileo, na Guiana Francesa
A sonda Soyuz durante o lançamento dos dois primeiros satélites Galileo, na Guiana Francesa AFP/Jody Amiet

Os dois satélites Galileo lançados ao espaço na sexta-feira (22) com auxílio do foguete russo Soyuz não atingiram a órbita prevista e, ao que parece, será complicado recolocá-los na trajetória correta. Isso deve atrasar mais uma vez o surgimento do sistema de navegação europeu para concorrer com o americano GPS.

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“Estamos tentando ver se conseguimos resolver a situação nas próximas horas”, afirmou o coordenador interministerial francês do programa Galileo, Jean-Yves Le Gall. De acordo com a empresa Arianespace, responsável pelo lançamento, os satélites foram parar em uma órbita mais baixa do que o previsto, o que levantou a dúvida de se a quantidade de combustível teria sido suficiente.

Perguntado sobre isso, Le Gall, que também preside o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES) respondeu: “Essa é a boa pergunta, a pergunta que todos nós nos fazemos”.

Algo deu errado

De acordo com ele, o aparelho devia estar em uma “órbita circular de 23 mil quilômetros de altitude, mas está numa órbita elíptica de cerca de 17 mil quilômetros, o que quer dizer que tivemos problemas com o cumprimento da missão. Três horas depois da decolagem, alguma coisa claramente deu errado”. Jean-Yves Le Gall informou ainda que uma comissão será formada para investigar o caso.

Três horas e 48 minutos depois do lançamento, que aconteceu às 9h27 de ontem em Kuru, na Guiana Francesa, o andar superior da sonda se separou dos dois satélites para juntá-los aos outros quatro já lançados.

Pelos planos iniciais, eles começariam a funcionar no início de outubro. No fim do ano, seriam oferecidos os primeiros serviços do sistema Galileo. Ele deveria estar completamente operacional em 2018.

O custo do programa, que visa emancipar os europeus da dependência do sistema americano, é de € 5 bilhões, o equivalente a R$ 15 bilhões, inteiramente financiados pela Comissão Europeia.

Aumento de prazos e custos

A princípio, o custo seria de € 3,2 bilhões e os trabalhos começariam em 2008. Mas, desde o início, o programa sofre com atrasos e, consequentemente, aumentos de preço. Os primeiros satélites foram lançados apenas em outubro de 2011 e, dois anos depois, a empresa alemã OHB, que havia vencido a licitação para construir 22 satélites, teve de pedir ajuda à concorrente francesa para entregá-los no prazo.

Na quinta-feira, a Arianespace anunciou o lançamento de 12 novos satélites a partir de 2015, para acelerar a aplicação do Galileo. Dois novos aparelhos devem ser postos em órbita ainda no fim deste ano. Depois, a ideia é lançar entre seis e oito satélites por ano.

Até 2017, o sistema Galileo deve contar com 24 aparelhos operacionais, aos quas serão adicionados outros seis, por segurança. Como eles operarão a uma altitude maior do que o GPS, os satélites Galileo terão maior inclinação, o que deve aumentar a capacidade do sinal. Além disso, eles são dotados dos melhores relógios atômicos jamais utilizados na navegação.

 

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