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Alemanha/Justiça

"Contador de Auschwitz" é julgado na Alemanha pela morte de 300 mil judeus

Oskar Groning, de 93 anos, ex-funcionário do regime nazista, começa a ser julgado nesta terça-feira (21).
Oskar Groning, de 93 anos, ex-funcionário do regime nazista, começa a ser julgado nesta terça-feira (21). REUTERS/Julian Stratenschulte/Pool

A Alemanha começou a julgar nesta terça-feira (21) Oskar Groning, de 93 anos, ex-funcionário do regime nazista apelidado pela mídia alemã de "contador de Auschwitz". Apesar da idade avançada, ele comparece ao tribunal de Luneburg, no norte do país. Durante a Segunda Guerra, Groning integrou uma tropa de elite nazista (Waffen-SS) e serviu no campo de extermínio de judeus. Ele era encarregado de recolher dinheiro, joias e outros objetos de valor dos deportados para ajudar financeiramente o regime.

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Oskar Groning é acusado de cumplicidade no assassinato de 300 mil judeus húngaros em Auschwitz. Em uma entrevista concedida à imprensa alemã em 2005, ele disse que se considerava inocente. O ex-funcionário do Terceiro Reich insistiu que nunca matou ninguém e que "só tomava conta das malas" dos enviados às câmaras de gás, tendo atuado como "uma peça da engrenagem" na máquina de extermínio nazista. Hoje, no tribunal, ele pediu perdão às vítimas.

Durante o processo, a promotoria buscará mostrar que Groning trabalhava diretamente na plataforma onde chegavam os trens com os deportados. Segundo autos do inquérito, ele participava da seleção dos judeus que eram "aptos ao trabalho" e os que iam diretamente para as câmaras de gás. Ele recolhia as bagagens deixadas pelos condenados, para evitar que outros judeus testemunhassem indícios do homicídio em massa.

Nascido em uma família de nacionalistas inconformados com a derrota da Alemanha na Primeira Guerra mundial, Groning relatou que entrou para a tropa de elite nazista por ser "fascinado pelo uniforme".

Se for condenado, Groning pode pegar de 3 a 15 anos de prisão. O julgamento termina no dia 29 de julho.

Demora no julgamento

Com esse processo, a justiça alemã tenta apaziguar as acusações de ter sido condescendente com os criminosos nazistas. O caso também é considerado o último grande processo por crimes do nazismo. Ainda existem cerca de dez inquéritos abertos, mas, devido à idade avançada dos suspeitos, é pouco provável que eles sejam levados a julgamento.

Durante décadas, a justiça alemã não conseguiu condenar criminosos nazistas porque era preciso provar a participação do acusado num caso concreto. Essa situação só mudou em 2011, com a decisão do Tribunal Regional de Munique de condenar John Demjanjuk, ex-guarda do campo de Sobibor, a cinco anos de prisão por cumplicidade no assassinato de mais de 28 mil judeus. Não foi possível provar a participação concreta de Demjanjuk, hoje morto, mas a decisão criou jurisprudência.

Nos anos 80, a justiça alemã tentou condenar Groning, mas o processo foi suspenso por falta de provas. O ex-funcionário de Auschwitz escapou justamente com a alegação de que não havia participado nas mortes de milhares de judeus e "só tomava conta das malas".

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