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#coronavírus

Mundo do futebol despede-se de Pape Diouf

Pape Diouf morreu esta terça-feira. Fotografia datada de 4 de Fevereiro de 2014 em Marselha.
Pape Diouf morreu esta terça-feira. Fotografia datada de 4 de Fevereiro de 2014 em Marselha. AFP - ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

O mundo do futebol diz adeus a Pape Diouf, que morreu esta terça-feira vítima do novo tipo de coronavírus. O antigo presidente do clube francês Olympique de Marseille, foi jornalista desportivo, agente de jogadores e candidato à presidência da Câmara de Marselha. Morreu em Dacar, no Senegal, com 68 anos.

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Pape Diouf teve “mil vidas, um destino singular e atípico”, descreve o jornal Le Parisien desta quarta-feira. “Nada parecia predestinar este homem de letras, visceralmente ligado às suas raízes africanas, a tornar-se, em meados dos anos 2000, no primeiro e único presidente negro a liderar um grande clube europeu de futebol”, sublinha o diário.

Pape Diouf nasceu em Abéché, no Chade, em 1951, e passou a infância no Senegal. Aos 18 anos, chegou a Marselha com a recomendação paterna de seguir carreira militar. Espírito livre, preferiu estudar ciência politica em Aix-en-Provence, trabalhando a tempo parcial para financiar a universidade. Entretanto, deixou os estudos para ir trabalhador nos correios, onde conhece um colega que lhe abre as portas para o jornal comunista "La Marseillaise", no qual assina os primeiros artigos.

Primeiro como jornalista “freelancer”, Pape Diouf começou por relatar diariamente as notícias do clube Olympique de Marseille. Doze anos mais tarde, em 1987, entra no diário desportivo Le Sport, um jornal que acabaria por fechar.

Entretanto, torna-se agente de jogadores, com nomes como Joseph-Antoine Bell, Basile Boli, Marcel Desailly, Samir Nasri, Grégory Coupet e Didier Drogba.

EM 2004, Pape Diouf deixa os bastidores do futebol e entra no OM, primeiro como gerente e, em 2005, como presidente, levando a estabilidade a um clube considerado como impossível de gerir. O clube passa a ser um dos pesos pesados da primeira liga francesa, com um quinto lugar em 2005-2006, segundo em 2006-2007, terceiro em 2007-2008, e segundo em 2008-2009, alcançando regularmente a Liga dos Campeões e também duas finais da Taça de França.

A 17 de Junho de 2009, Pape Diouf deixa a presidência do OM e, em 2012, é nomeado cavaleiro da Legião de Honra francesa pelo então presidente François Hollande.

Nas eleições autárquicas de 2014, é o cabeça-de-lista de um colectivo de ecologistas, associações e personalidades da sociedade civil para a Câmara Municipal de Marselha, mas termina no quinto lugar.

Pelo caminho, foi muitas vezes sondado para regressar à presidência do OM mas sempre declinou.

Depois de, no final de 2016, o seu nome surgir num processo judicial de transferências duvidosas do clube -  suspeita que é levantada pela justiça em 2018 – Pape Diouf decide regressar a Dacar para viver com parte da sua família. Recentemente, tinha arrendado um apartamento na periferia de Marselha onde ia várias vezes e onde continuava a granjear muita simpatia junto da população.

Perfil de Pape Diouf

Esta quarta-feira, multiplicaram-se as homenagens a Pape Diouf.

O jogador Florian Thauvin, campeão do mundo, escreveu, nas redes sociais, "Triste com o desaparecimento de Pape Diouf… Vai deixar lembranças únicas em Marselha".

Um outro vencedor do Mundial de 2018, Benjamin Mendy, escreveu: "Muito triste pela morte de Pape Diouf. Um grande presidente e, sobretudo, um imenso Homem, que sempre representou de forma digna o OM e os seus valores. Uma grande perda para o futebol francês e para o continente africano".

O antigo atacante internacional Djibril Cissé, que também evoluiu no Marselha sob a presidência de Pape Diouf, escreveu: "Lembrar-me-ei sempre da nossa conversa um mês antes de assinar no OM e ainda mais daquela que tivemos na semana da minha lesão. O Pape ligou-me e disse : palavra de honra, acordámos a tua integração no OM e não é a tua lesão que me vai fazer mudar de ideias sobre as tuas qualidades e sobre seres um jogador para vestir as cores do teu clube de coração que é o Olympique de Marseille".

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