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Cultura / Exposição

Museu d’Orsay mostra dois séculos de violência na arte

Óleo sobre tela,  Museu Fabre de Montpellier
Óleo sobre tela, Museu Fabre de Montpellier Frédéric Jaulmes

A exposição "Crime e Castigo" no Museu d'Orsay, em Paris,  abriu as portas essa semana. Goya, Géricault, Picasso, Magritte ou Andy Warhol nos fazem percorrer o universo da estética da violência.

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Inspirada no romance de Dostoievski do mesmo nome, a exposição "Crime e Castigo" nos revela o fascínio da temática do crime e da punição na arte, desde a segunda metade do século XVIII até a abolição da pena de morte na França. Dividida em vários temas, como "Mulheres Criminosas" e "Figuras do Crime Romântico", a mostra coloca o visitante diante de cenas de delinquência e de julgamentos.

Pinturas, desenhos, fotografias e esculturas revelam a imagem dos que julgam e dos que são julgados, ao longo da história. Além da evolução do tratamento jurídico dado aos crimes, a curadoria tenta mostrar como os criminosos eram vistos em cada época. Estudos sobre seus traços físicos ou psicológicos buscaram compreender a origem dos comportamentos violentos, através da antropologia criminal.

A reconstituição de crimes e de cenas famosas como o assassinato de Marat, ícone da Revolução Francesa, a história de Caim e Abel ou a crucificação do próprio Cristo mostram a atração pela temática da violência.

"A pintura tem a capacidade de tornar visível, de tornar aceitável cenas normalmente repugnantes. Na exposição nós temos vários exemplos, como dezenas de cabeças cortadas. O cartaz da exposição são os membros cortados, quadro do pintor francês Géricault, um espetáculo horrível se você o vê realmente, mais que é pintado tão magnificamente, existe um tal amor pela carne, um tal amor pelo homem, mesmo ele estando retalhado em pedaços que você o admira", revela Jean Clair, membro da Academia Francesa e curador da exposição.

A questão da violência aparece representada na imprensa e em livros e manuais oficiais. Segundo Claudia Batista, estudante de direito de 22 anos, que esteve na abertura da exposição, "ela mostra que o mal é algo exterior ao homem e na verdade pode ser que não seja isso. Ela traz informação ao público em geral, não é todo mundo que procura saber o que é o crime e o que é o castigo e a evolução da noção do crime. Então ela não choca, mas tem coisas que são chocantes, porque o crime é chocante".

A exposição "Crime e Castigo", no Museu d'Orsay, em Paris, pode ser vista até o dia 27 de junho.

Luiza Duarte

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