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França/Caso Bettencourt

Juiz adia julgamento de acusado de extorquir dona da L'Oréal

Liliane Bettencourt em Paris, no dia 6 de julho de 2007.
Liliane Bettencourt em Paris, no dia 6 de julho de 2007. AFP / Patrick Kovarik

Começou hoje, no Tribunal de Nanterre, o julgamento do fotógrafo François-Marie Banier, suspeito de extorquir 1 bilhão de euros de Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França, dona da multinacional de cosméticos L'Oréal. Algumas horas depois do início da audiência, o juiz anunciou o adiamento do processo por tempo indeterminado. 

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O processo, que começou como um desentendimento familiar, já que é a filha da milionária que leva o fotógrafo à justiça, acabou atingindo o governo. O ministro do Trabalho, Eric Woerth, é suspeito de tráfico de influência. O que parecia ser um litígio familiar acabou se tornando um escândalo político e judiciário com todos os ingredientes de uma saga: uma bilionária influenciável, um artista aproveitador, na opinião da filha dela, a esposa de um ministro e o próprio ministro.

Explicando os fatos, o escritor e fotógrafo francês François-Marie Banier recebeu da herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, em torno de 1 bilhão de euros em doações, cerca de 2,3 bilhões de reais, entre 1990 e 2000. Para a filha de Liliane, Françoise Bettencourt Meyers, esse artista mundano abusou da fragilidade psicológica de sua mãe para enriquecer. A acusação é rejeitada pela bilionária, que alega ter feito as doações de livre e espontânea vontade ao seu amigo.

Este aparente conflito familiar é bem mais complicado do que parece. No dia 14 de junho, o site francês Mediapart e a revista Le Point publicaram o conteúdo de gravações feitas pelo mordomo de Liliane Bettencourt no último ano. As conversas telefônicas entre ela e seus conselheiros financeiros acabaram revelando a existência de operações de evasão fiscal, na qual estariam envolvidos o atual ministro do Trabalho, Eric Woerth, na época ministro do Planejamento, e os administradores da fortuna da herdeira, entre eles, a esposa do ministro, Florence Woerth. Até a semana passada, Florence Woerth trabalhava como contadora de Liliane Bettencourt. A imprensa francesa e a oposição acusam o casal Woerth de ter conhecimento da fraude fiscal. O ministro é suspeito de tráfico de influência.

Depois que as gravações vieram à tona, a esposa do ministro pediu demissão. O material gravado, ao todo 28 CDs e uma transcrição parcial das escutas, desencadeou a abertura de uma investigação e várias queixas por atentado à vida privada. Alguns "colarinhos brancos" foram identificados nas escutas, entre eles o conselheiro de Justiça do presidente Nicolas Sarkozy, Patrick Ouart.

Esses desdobramentos serão levados em consideração pelo tribunal por estarem relacionados à principal razão do julgamento que começa hoje: provar o estado de fragilidade da terceira maior fortuna da França, cujo patrimônio é avaliado em 17 bilhões de euros, quase 38 bilhões de reais.

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