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Luxo

Hermès pede a Louis Vuitton que abandone o capital da empresa

O grupo LVMH exclui que pretende lançar uma oferta hostil de compra para entrar no capital do grupo Hermès.
O grupo LVMH exclui que pretende lançar uma oferta hostil de compra para entrar no capital do grupo Hermès. AFP/Miguel Medina

O setor do luxo na França se prepara para assistir a uma verdadeira guerra envolvendo duas das marcas de luxo mais emblemáticas do país, a Louis Vuitton e a Hermès.

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Em entrevista publicada hoje pelo jornal francês Le Figaro, a família Hermès pede ao presidente do grupo LVMH, proprietário da marca Louis Vuitton, Bernard Arnault, que se retire do capital da empresa, especializada em acessórios e malas de couro e conhecida por seus famosos lenços de seda.

Há cerca de dez dias, o grupo LVMH anunciou ter adquirido 17,1% do capital do grupo Hermès, que foi fundado em 1873 e que, há 5 gerações, pertence à mesma família. A direção do LVMH chegou a afirmar que não pretendia tomar o controle da empresa, nem exigir uma cadeira no conselho de adminsitração do grupo, e argumentou que somente queria se tornar um "acionista a longo prazo".

Na entrevista publicada no Figaro, Patrick Thomas, presidente do grupo Hermès, declara que a participação do grupo LVMH é "indesejada e não tem nada de amistosa". Ele também enfatiza que, hoje, "não existe nenhuma ameaça sobre o capital do grupo, nem da parte de fundos de investimentos estrangeiros nem de grupos chineses", como havia justificado Bernard Arnault.

A maneira como a Louis Vuitton entrou no capital de Hermès também está sendo questionada e pode ser investigada pela Autoridade dos Mercados Financeiros francesa, que ainda não aprovou a operação. A regulamentação do país exige que sejam declaradas as compras de ações que ultrapassem o teto de 5%, 10% e 15%, o que não foi feito pelo grupo Louis Vuitton.

Desde a morte, em maio deste ano, de Jean-Louis Dumas, carismático presidente da Hermès, o futuro do grupo vinha sendo objeto de especulações, embora os resultados anuais da marca comprovem a boa saúde financeira do grupo. No primeiro semestre deste ano, a Hermès registrou aumento de 55,2% de seu lucro líquido e progressão de 22,8% nas vendas.

Já o grupo LVMH realizou, no primeiro semestre deste ano, um lucro líquido de 1,1 bilhão de euros, o que representa um crescimento de 53% com relação ao mesmo período do ano anterior. O LVMH, líder mundial da indústria do luxo, detém mais de 50 marcas, entre elas Moët Chandon, Givenchy, Dior e Louis Vuitton.

Com a guerra à vista no setor do luxo, uma coisa é certa: o presidente do grupo Louis Vuitton, Bernard Arnault, faz jus ao seu apelido nos meios empresariais franceses: o rei da selva.
 

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