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Processo/ Galliano

Em processo, Galliano argumenta que é dependente químico

O estilista John Galliano.
O estilista John Galliano. Reuters

O ex-diretor artístico da Maison Dior John Galliano defendeu-se, nesta quarta-feira, na Justiça francesa, das acusação de antissemitismo afirmando que é “triplamente viciado” em álcool, soníferos e antidepressivos. Galliano responde judicialmente por ter ofendido clientes de um bar de Paris com palavras racistas, em 24 de fevereiro.

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“Eu não me lembro muito bem do que aconteceu”, disse o estilista. “Eu tenho uma tripla dependência”, admitiu, revelando que passou dois meses no Arizona (Estados Unidos) em tratamento de desintoxicação.

Quando chegou ao tribunal, Galliano, 50 anos, tinha a aparência abatida, cabelos desarrumados e estava vestido todo de preto, com uma calça brilhosa e um casaco opaco. Ao juiz francês, ele descreveu uma rotina pesada de trabalho, com muita pressão para as coleções de moda, viagem e discursos. “Era uma pressão muito grande”, comentou, em inglês, e com a ajuda de um intérprete.

A audiência deveria durar três horas, mas a decisão judicial ainda deve demorar várias semanas. Cinco testemunhas das agressões serão ouvidas. O britânico pode ser condenado a até seis meses de prisão e 22,5 mil euros de multa.

O incidente aconteceu no bar La Perle, no bairro Marais, na capital francesa, onde mora uma das maiores comunidades judaicas da cidade. Embriagado, Galliano começou a ofender um casal de clientes do bar com palavras como “judia suja”. O casal prestou queixa policial contra as agressões e, poucos dias depois, o site do jornal britânico The Sun publica um vídeo no qual o costureiro aparece xingando outros clientes, no mesmo bar, e dizendo que adorava o líder nazista Adolf Hitler. O episódio teria acontecido no dia 12 de dezembro de 2010. Após a divulgação do caso, uma mulher de 48 anos revelou ter sido agredida verbalmente pelo estilista em outubro de 2010, no mesmo bar parisiense.

No dia seguinte à publicação das imagens, o estilista foi demitido da marca Dior, a poucos dias dos desfiles de alta costura de Paris. Em seu relato, o costureiro contou que começou a beber após a morte do pai, em 2005, e depois de um “grande amigo”, em 2007, quando começou a tomar também medicamentos. Ele disse que, na época em que ocorreu o problema em Paris, “não conseguia mais ir trabalhar sem tomar pílulas”.

Antes de entrar na audiência, o advogado de Galliano, Aurélien Hamelle, argumentou que o relato das testemunhas não retiram “as dúvidas que ainda existem sobre o que aconteceu” naquela noite de fevereiro. O defensor ainda disse que “as palavras não refletem o pensamento do acusado, que não nem antissemita, nem racista”.

Em seu depoimento, a francesa Géraldine Bloch, uma das vítimas, afirmou que Galliano começou a ofendê-la “gratuitamente”, criticando seus sapatos, sua pele, seus cabelos e suas roupas. Ela assegura que a palavra “jewish” (judia, em inglês) foi uma das que o costureiro mais pronunciou, por cerca de 30 vezes.

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