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França/Presidenciais 2012

Política nuclear provoca racha entre verdes e socialistas na França

François Hollande, candidato do Partido Socialista francês às eleições presidenciais de 2012.
François Hollande, candidato do Partido Socialista francês às eleições presidenciais de 2012. REUTERS/Charles Platiau

Os socialistas e os verdes franceses, que deveriam se unir num eventual segundo turno da eleição presidencial de 2012, estão em pé de guerra. Os verdes exigem um compromisso do Partido Socialista em torno do fim do programa de energia nuclear, mas o candidato do PS, François Hollande, defende o projeto de construção de um reator de terceira geração no norte do país.

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O futuro do parque nuclear francês de produção de energia - 58 reatores em atividade em 2011, em 19 usinas nucleares - se tornou um ponto de discórdia entre os verdes e os socialistas. O candidato do PS à sucessão de Nicolas Sarkozy, François Hollande, declarou que vai dar continuidade às obras do EPR, reator de terceira geração atualmente em construção na usina de Flamanville (norte da França), abrindo um racha na esquerda. 

Hollande é favorável a uma redução progressiva da produção de energia nuclear na França, de 75% a 50% até 2025, mas descarta fechar um acordo com os verdes de abandono completo do nuclear, como anunciaram recentemente Alemanha, Suíça e Bélgica. O socialista afirmou que, se eleito, manterá as obras de construção do EPR.

A candidata dos verdes às presidenciais, Eva Joly, havia dado um ultimato a Hollande, dando prazo até 19 de novembro para o socialista se comprometer com a paralisação das obras do EPR, caso seja eleito.

De acordo com uma pesquisa publicada nessa terça-feira, Eva Jolly tem 5% de intenções de voto no primeiro turno, Nicolas Sarkozy, 25%, e François Hollande, 36%. No segundo turno, o socialista bateria o atual presidente com 61% dos votos contra 39% para Sarkozy.

Franceses querem mudança

Segundo uma sondagem recente, 60% dos franceses defendem o abandono progressivo da produção de energia nuclear num prazo de 25 a 30 anos. Depois da catástrofe na central de Fukushima, no Japão, os franceses se assustaram e abandonaram a postura de resignação diante do nuclear. A França continua sendo o país mais dependente do mundo na produção de eletricidade por meio da energia nuclear. 

O presidente da estatal pública de eletricidade EDF, Henri Proglio, diz que um abandono do nuclear na França resultaria na perda de 400 mil empregos e custaria indiretamente 0,5 a 1% do PIB francês. O executivo também estima que as energias renováveis (solar e eólica) vão continuar marginais no futuro, por questões de competitividade.    

A França é o segundo maior produtor de energia nuclear do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. Desde o início do programa nuclear francês, em 1955, 12 reatores foram aposentados e alguns deles estão em estágio de desmantelamento.

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