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França/Eleição presidencial

Sarkozy chama de 'infamia' suspeita de financiamento de Kadafi

Partidários de François Hollande aguardam início do comício do candidato neste domingo, 29 de abril, no ginásio Paris-Bercy.
Partidários de François Hollande aguardam início do comício do candidato neste domingo, 29 de abril, no ginásio Paris-Bercy. REUTERS/Jacky Naegelen

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, qualificou hoje de "infamia" as acusações do site de informações Mediapart, que divulgou neste sábado um documento segundo qual o ex-ditador líbio Muammar Kadafi teria se comprometido a doar 50 milhões de euros para a campanha de Sarkozy em 2007.

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O primeiro-ministro François Fillon também saiu em defesa do presidente. Fillon afirmou que o documento "é falso" ou "no mínimo impossível de ser autenticado", uma "calúnia" contra Sarkozy proferida "pela oficina de amigos ricos de François Hollande". O premiê fez referência a empresários que financiam o site de informações Mediapart e são considerados aliados da oposição de esquerda.

A sete dias do segundo turno da eleição presidencial, o duelo entre Sarkozy e Hollande é feroz. O presidente-candidato faz um grande comício neste domingo em Toulouse, enquanto o opositor François Hollande, favorito nas pesquisas, lota o ginásio Paris-Bercy, na capital, para um grande encontro com os militantes socialistas.

Nos últimos dias, a campanha registrou uma escalada de factoides na mídia. A tese de um complô dos sarkozistas contra o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn, que tinha tudo para defender o Partido Socialista nas urnas, voltou ao noticiário. O obscuro relacionamento entre Sarkozy e Kadafi é o desdobramento mais recente.

O auge do duelo entre os dois candidatos vai acontecer na próxima quarta-feira, quando acontecerá o único debate na TV entre os dois finalistas. Cerca de 20 milhões de espectadores devem assistir o programa.

Documento é assinado por assessor de Kadafi

No documento publicado pelo site Mediapart, o ex-chefe dos serviços de informação exterior da Líbia, Mussa Kussa, descreve um “acordo de princípio” para “apoiar a campanha eleitoral do candidato às eleições presidenciais Nicolas Sarkozy, com um montante de 50 milhões de euros”. Em 12 de março, o presidente-candidato havia classificado como “grotesca” a possibilidade de financiamento parcial da sua campanha por Kadafi, levantada pelo mesmo site.

No documento, traduzido do árabe pelo Mediapart, Kussa dá o seu consentimento a “instruções do escritório de ligações do comitê popular geral sobre a aprovação de apoiar a campanha” de Sarkozy. O texto ainda diz que o acordo é resultado de uma “reunião ocorrida em 6/10/2006, da qual participaram, do nosso lado, o diretor dos serviços de informações líbio [Abdallah Senussi] e o presidente do Fundo Líbio de Investimentos Africanos [Bachir Saleh], e do lado francês, Brice Hortefeux e Ziad Takieddine”.

Hortefeux é um grande amigo de Sarkozy, que no seu governo virou ministro do Interior. Já o advogado do empresário franco-libanês Ziad Takieddine afirmou à reportagem do site que o homem “não estava presente na reunião indicada no documento”, mas que “ele acha que o documento é confiável, visto a data e as pessoas citadas”.

Quando o governo de Kadafi foi deposto, no ano passado, Kussa ocupava o cargo de ministro das Relações Exteriores da Líbia. Ao fim do regime, ele se exilou na Europa. Pouco antes do início da guerra na Líbia – à qual a França foi uma das principais apoiadoras – Kadafi, seu filho, Saif al-Islam, e Senussi afirmaram publicamente ter provas de um financiamento oculto da campanha do presidente francês.

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