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França/Tragédia

Continental é absolvida no julgamento em apelação do acidente do Concorde

A presidente da Corte de Apelações de Versalhes, Michèle Luga, que presidiu o julgamento sobre a tragédia do Concorde.
A presidente da Corte de Apelações de Versalhes, Michèle Luga, que presidiu o julgamento sobre a tragédia do Concorde. Reuters/Charles Platiau

A Corte de Apelação de Versailles pronunciou nesta quinta-feira a absolvição da companhia americana Continental Airlines e de todas as pessoas julgadas pela catástrofe do Concorde, que fez 113 mortos em 2000 perto de Paris.

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Um chefe de equipe, Stanley Ford, e um mecânico da Continental, John Taylor, foram absolvidos, assim como Claude Frantzen, um dos principais dirigentes da Direção Geral da Aviação Civil (DGAC) de 1966 a 1994.

A Continental e seus dois funcionários foram no entanto declarados responsáveis no plano civil, e não penal, da catástrofe e deverão pagar centenas de milhares de euros às famílias das vítimas. A companhia terá que pagar € 1 milhão para a Air France por ter prejudicado sua imagem. 

Como na primeira instância, a Corte reconheceu que o acidente acontecido no momento da decolagem foi fruto de um encadeamento fatal imputado à companhia americana. Mas ela considerou que isso não justificava uma condenação penal. 

No dia 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France transportando 109 passageiros, em sua maioria turistas alemães, pegou fogo logo após sua decolagem do aeroporto Charles de Gaulle em Roissy, na periferia de Paris, e caiu sobre um hotel. O acidente fez 113 mortos, dos quais quatro no solo.

No primeiro julgamento, a corte havia aceito a hipótese de que um DC10 da Continental havia provocado a catástrofe ao perder uma parte metálica na pista de decolagem do Concorde, em Roissy, que teria levado à explosão de um pneu do supersônico, à perfuração da reserva e em seguida à inflamação do combustível.

A presidente da Corte de Apelação, Michèle Luga, também aceitou essa hipótese para explicar o acidente, mas julgou que isso não era o suficiente para incriminar a Continental Airlines. 

A defesa da Continental Airlines sempre rejeitou a tese de um encadeamento fatal, contestando até o final que um pedaço de metal de quarenta centímetros tenha podido provocar o acidente. A companhia americana havia dito que a culpa do acidente era da Air France, questionando a manutenção de seus Concorde e a preparação do voo em questão. Seu advogado havia lembrado que uma peça do trem de aterrissagem do supersônico estava faltando, que o aparelho estava com excesso de peso e que um pequeno motor elétrico havia sido trocado no último minuto.

Rejeitando as acusações da Continental, a companhia francesa, que era parte civil no processo, havia pedido € 15 milhões de indenização. Paralelamente a essa decisão, Air France e suas seguradoras processam a Continental no tribunal do comércio para obter indenização por seu prejuízo econômico após o acidente. Esse tribunal espera o final do processo penal para tomar sua decisão. 

O acidente havia colocado um fim prematuro à carreira desse supersônico mítico, o avião mais rápido da história da aviação comercial, que voou pela última vez em 2003.

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