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França/Dépardieu

Gérard Depardieu abre mão da cidadania francesa para fugir dos impostos

O ator francês Gérard Depardieu
O ator francês Gérard Depardieu © AFP

Para protestar contra as críticas em torno de seu exílio fiscal na Bélgica, o ator Gérard Depardieu anunciou que vai renunciar sua cidadania francesa, em uma carta aberta ao primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, publicada hoje no JDD (Journal du Dimanche). Uma decisão que provocou diversas reações dos membros do PS (Partido Socialista), do presidente François Hollande.

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A carta é uma resposta ao premiê francês, que qualificou de “lamentável” a decisão de Depardieu de se mudar para Nechin, na Bélgica, onde os contribuintes mais afortunados têm diversas vantagens fiscais. No texto, Dépardieu reproduz a fala de Louis Jouvet no filme "Drôle", de Marcel Carné, e responde ao primeiro-ministro Marc Ayrault dizendo : "Lamentável, você disse lamentável ? Quem é você para me julgar desta maneira ?" O ator também anuncia que vai renunciar à cidadania francesa, como prevê o código civil francês em determinadas situações.

A polêmica traz novamente à tona a polêmica na França sobre o aumento da alíquota do imposto de renda para 75%, para quem ganha mais de 1 milhão de euros por ano. A oposição acredita que a medida provocará um exílio das grandes fortunas francesas, o que acarretará uma baixa da atividade econômica no país e mais recessão. O ator se defende dizendo que "não pediu a aprovação de ninguém sobre sua decisão", mas exige respeito. "Todos que deixaram a França não foram apedrejados como eu fui", em alusão a outros casos polêmicos, como do CEO do grupo francês LVMH, Bernard Arnault, que pediu a nacionalidade belga.

Gérard Depardieu, que completa 64 anos no fim do ano, disse que começou a trabalhar aos 14 anos e afirma que sempre pagou seus impostos em dia, num total de 145 milhões de euros em 45 anos. Segundo ele, em 2012, ele teve um desconto de 85% em seu salário. Independentemente, Depardieu nunca escondeu sua irritação com o governo de François Hollande. Durante a campanha, ele chegou a subir no palanque para apoiar o então presidente e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy.

"Seria melhor se ele voltasse para o cinema mudo"

Diversos membros do governo socialista reagiram imediatamente às declarações de Gérard Depardieu. Para a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti, "quando alguém abandona o barco em plena guerra econômica, não pode dar lição de moral em ninguém. Pena que Dépardieu não volte para o cinema mudo", afirmou em entrevista à rádio France Info. Para o secretário nacional do Partido Socialista, Harlem Désir, "a gente não escolhe nossa nacionalidade em função do imposto de renda."
 

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