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França para os franceses

Le Pen prega nacionalismo para 3 mil pessoas em Paris

A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, discursa na passeata de 1° de maio, em Paris
A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, discursa na passeata de 1° de maio, em Paris REUTERS/Charles Platiau

O tradicional desfile do 1° de maio da Frente Nacional, partido francês de extrema-direita, foi marcado pela participação dos jovens. Eles eram maioria entre os 3 mil militantes que vieram de todas as regiões da França, segundo os números oficiais, e exibiam a face mais radical do partido.

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"Franceses, aqui é a casa de vocês" e "Islã, fora da Europa" eram algumas das frases de conotação xenófoba que a juventude do FN bradava a plenos pulmões nos quase dois quilômetros do trajeto da passeata, entre a praça do Museu do Louvre e a Praça da Ópera de Paris.

"Precisamos dar prioridade aos franceses, em políticas de habitação e de emprego. É preciso fechar as fronteiras e reindustrializar a França. As empresas vão a outros países procurar mão de obra barata enquanto nós amargamos o desemprego", afirmou o atacadista Jean Arnauld, de 28 anos, que mora no sudeste da França e foi a Paris apenas para apoiar a presidente do partido, Marine Le Pen.

"Luz da Esperança"
Depois do desfile, ela fez um discurso de alto teor nacionalista, pedindo um recrudescimento das políticas de imigração e expulsão dos estrangeiros em situação ilegal no pais. Ao afirmar que a França passa por tempos sombrios, ela se apresentou como a "luz da esperança".

Ela também pregou a independência do país em relação à União Europeia. "Nós obedecemos agora aos senhores de Bruxelas [sede da UE] e de Berlim. Precisamos de um chefe de verdade, que saiba negociar a soberania nacional", afirmou.

Em meio à crise do governo socialista, Marine Le Pen tenta aumentar seu capital político. Uma semana após o índice de desemprego na França atingir números recordes, com mais de 3,2 milhões de pessoas sem trabalho, ela soma 22% de intenções de voto para presidente, o que a coloca em pé de igualdade com Hollande.

Mas, para o cientista politico Gaspard Estrada, da SciencesPo, essa popularidade registrada muito tempo antes da eleição não se traduz necessariamente em votos. "Apesar de o eleitor de direita começar a convergir para a extrema-direita, é preciso ver o resultado dessas pesquisas com cautela. Em 2011, Le Pen aparecia à frente de Hollande e Sarkozy, um cenário muito diferente do resultado das urnas, no ano passado", comenta.

Ao final da sua fala, como durante todo o evento, Le Pen se apoiou em um símbolo nacional e convidou seus militantes a cantar a Marselhesa.

Colaborou Gustavo Ribeiro

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