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França/morte

Morre Jacques Vergès, o "advogado do diabo" francês

O advogado francês Jacques Vergèss
O advogado francês Jacques Vergèss AFP BERTRAND LANGLOIS

Conhecido como o advogado das causas perdidas e por seu espírito mordaz, Jacques Vergès morreu nesta quinta-feira em Paris, no mesmo quarto onde Voltaire passou seus últimos momentos, em 1788. Até o fim ele defendeu um dos pilares da profissão : todos têm direito à defesa.

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Jacquès Vergès morreu vítima de um ataque cardíaco, quando se preparava para jantar com amigos, segundo seu editor, Pierre-Guillaume Roux. Personagem lendário dos tribunais franceses, o advogado colecionou clientes controversos. Entre eles está o chefe da Gestapo em Lyon Klaus Barbie, ou ainda o terrorista Carlos, o Chacal. O último deles foi o ex-presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo.

Na época da invasão do Iraque e da prisão de Saddam Hussein, Vergès também se colocou à disposição do ditador, mas ele recusou a oferta do advogado, preferindo seu sobrinho. Em 2007, o francês também defendeu Khieu Samphan, um dos principais líderes dos Khmers vermelhos, preso em 2007 e julgado em 2011 no Camboja.

A história do advogado francês também tem um viés político. Ele apoiou a Frente de Libertação Nacional da Argélia, criada em 1954 para libertar o país do domínio francês, e em 1957, foi chamado para defender uma jovem militante, Djamila Bouhired, condenada à morte pela participação em alguns atentados. Ela acabou recebendo um indulto, e mais tarde se tornaria esposa do advogado.

Enviado ao Marrocos pelo partido,  Vergès se transformou em conselheiro do ministro para assuntos africanos e, quando a Argélia obteve sua independência, em 1962, ele se converteu ao Islã. Tempos depois, ele deixaria Alger e iria para a China, onde conheceu Mao Tse Tung.

Em 1970 o advogado desapareceu sem deixar pistas, abandonando mulher e filhos. Alguns anos mais tarde, Vergès reapareceu sem dar maiores explicações. Esse episódio, segundo a imprensa francesa, contribuiu para sua fama de imprevisível.

Considerado um monstro sagrado da profissão pelos colegas, Vergès é descrito como um provocador de talento que defendeu os criminosos mais odiosos do mundo. "Tenho um defeito grave, o desprezo. E quando as pessoas que eu desprezo me ofendem, para mim é uma rara felicidade."

 

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