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França/Mali

Ghislaine Dupont e Claude Verlon eram repórteres experientes

Ghislaine Dupont e Claude Verlon.
Ghislaine Dupont e Claude Verlon. RFI

Os enviados especiais da RFI ao Mali, Ghislaine Dupont e Claude Verlon foram sequestrados e assassinados no sábado, 2 de novembro, em Kidal, no norte do país. Eles estavam na cidade a trabalho e tinham acabado de entrevistar um representante do movimento tuareg MNLA. Os dois conheciam bem a África e o Mali, eram repórteres experientes e estavam acostumados a missões difíceis.

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Ghislaine Dupont tinha 57 anos e trabalhava na RFI desde 1990. Ela começou sua carreira na Rádio França Internacional apresentando jornais, mas rapidamente começou a fazer reportagens como enviada especial, principalmente na África. Ela entrevistou os guerrilheiros da Unita, em Angola, descreveu o drama da população durante a guerra civil em Serra Leoa, chegou a ser ameaçada de morte por um policial à paisana em um hotel de Ruanda, mas nunca se intimidou e continuou a trabalhar em vários países africanos.

Sua determinação em ouvir todas as partes envolvidas irritou o governo do Congo que decidiu expulsá-la do país em 2006, antes do primeiro turno das eleições presidenciais no país. “O maior talento de Ghislaine era a investigação. Ela era perseverante, não se cansava de aprofundar suas matérias e nunca se contentava com as declarações de apenas uma fonte”, elogiou o editor chefe do serviço África da RFI, Laurent Chaffard.

Claude Verlon tinha 55 anos e trabalhava na RFI, como técnico de som, desde 1982. Era ele que garantia a qualidade das reportagens e transmissões ao vivo durante as coberturas especiais no estrangeiro. “Claude era alguém em quem podíamos contar” afirmam em coro todos os seus colegas de trabalho. Ele acompanhou os jornalistas da RFI nos quatro cantos do mundo e essa era a segunda vez que ia com Ghislaine fazer reportagens em Kidal, no norte do Mali.

Elcio Ramalho, da redação brasileira da RFI, conhecia bem Claude Verlon. Eles trabalharam juntos na cobertura de duas Copas do Mundo, na Alemanha, em 2006, e na África do Sul, em 2010, e já faziam planos para a Copa do Mundo no Brasil, no ano que vem. Elcio perdeu um amigo. Ele se encontrou com Verlon poucos dias antes dele embarcar para o Mali. Diz que ele sabia dos riscos da missão, mas não estava preocupado.

Ouça o depoimento de Elcio Ramalho sobre Claude Verlon, enviado especial da RFI ao Mali, seqüestrado e executado por um grupo de rebeldes:

"Nós só temos a lamentar a morte de Claude Verlon de uma maneira tão trágica".

"Só temos a lamentar a morte de Claude Verlon de uma maneira tão trágica"

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