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França/Jornalistas assassinados

Em Paris, centenas homenageiam jornalistas da RFI assassinados

O chanceler francês Laurent Fabius discursa entre as fotos dos dois jornalistas da RFI assassinados no Mali
O chanceler francês Laurent Fabius discursa entre as fotos dos dois jornalistas da RFI assassinados no Mali PHOTO RFI / PIERRE RENE-WORMS

O museu Quai Branly em Paris foi o local escolhido para a cerimônia desta quarta-feira em homenagem a Ghislaine Dupont e Claude Verlon, os dois jornalistas da RFI assassinados no último sábado em Kidal, no Mali, por membros do grupo terrorista Al-Qaeda na região. Também conhecida como museu de artes e civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, a sede não foi escolhida ao acaso: ela fez parte da homenagem aos dois profissionais, que amavam o continente africano e fizeram dela o objeto de seu trabalho.

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Além de centenas de funcionários da RFI, estiveram no auditório correspondentes da rádio que voltaram a Paris para dar um último adeus, familiares das vítimas e autoridades, tanto da França quanto do Mali. O clima da homenagem dividiu-se entre a revolta, a comoção e até mesmo um pouco de humor, quando amigos relembraram histórias de redação de Dupont e Verlon.

Com a voz embargada e os olhos baixos, o ministro malinês das Comunicações e Novas Mídias, Jean-Marie Idrissa Sangaré subiu ao plenário para dizer que "muitos africanos não conheciam os rostos de Ghislaine e Claude, mas suas vozes eram muito conhecidas". Para ele, perdê-los foi como perder dois amigos, "para todos os africanos. Assumimos o compromisso de encontrar e punir estes covardes", garantiu o ministro, reafirmando que não permitirá que "a voz do povo, a voz da liberdade, seja silenciada".

Quando assumiu a tribuna, o chanceler francês Laurent Fabius lembrou que "um ataque contra profissionais da mídia é um ataque contra o direito do público à informação e contra a democracia" e garantiu que a França e o Mali estão trabalhando com todas as forças para trazer os assassinos à Justiça. "Quero dizer que a RFI e toda a imprensa têm nosso total apoio. Vocês fazem um excelente trabalho, reconhecido por todo o mundo, e este trabalho deve continuar. Tenho certeza de que essa também seria a vontade de Ghislaine et Claude", afirmou o ministro.

Entre os discursos e a apresentação de Juan Gomez, que ancora o programa matinal "Appels sur l'Actualité", um dos mais populares da casa, vídeos exibiam cenas da dupla em ação, além de trechos de reportagens marcantes que eles produziram para a Radio France Internationale.

Al-Qaeda reivindica assassinatos

Poucas horas após a cerimônia, a Aqmi, braço do grupo terrorista Al-Qaeda no norte da África, reivindicou a morte dos dois jornalistas. Os extremistas afirmam que a execução foi uma represália à ação da França contra muçulmanos no Mali. 

O presidente François Hollande disse ao Conselho de Ministros que a investigação do crime foi organizada rapidamente e está progredindo. Segundo fontes de segurança malinesas, 35 pessoas foram detidas até o momento para interrogatório e os serviços de inteligência franceses já identificaram quatro suspeitos de envolvimento direto com o crime, graças a um documento encontrado no carro que estava ao lado dos corpos.

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