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França/Hollande no Oriente Médio

Na Arábia Saudita, Hollande discute comércio e crises regionais

Hollande é recebido pelo príncipe Salman ben Abdel Aziz em Rawdat Khurayim
Hollande é recebido pelo príncipe Salman ben Abdel Aziz em Rawdat Khurayim REUTERS/Saudi Press Agency

O presidente francês François Hollande aterrissou neste domingo na Arábia Saudita, onde deve discutir futuros acordos comerciais e as crises políticas e sociais no Oriente Médio. Entre os assuntos que estarão à mesa, constam o atentado com carro bomba que matou o ex-conselheiro de assuntos internacionais do governo do Líbano Mohamed Chatah, a crise síria e a escalada de violência no Egito.

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Neste primeiro dia de visita, o chefe de Estado, é recebido pelo príncipe Salman ben Abdel Aziz em Rawdat Khurayim, a 60 quilômetros da capital Ryad. Depois, os dois têm um jantar de trabalho e o presidente segue para a embaixada francesa, onde concederá uma coletiva de imprensa. Durante a viagem, ele ainda se reunirá com empresários, com o ex-primeiro ministro libanês Saad Hariri, aliado político de Chatah, e com o chefe da oposição síria Ahmed Jarba.

Hollande viajou acompanhado de cerca de trinta diretores de empresas e quatro ministros: Laurent Fabius (Relações Exteriores) Arnaud Montebourg (Recuperação Econômica), Nicole Bricq (Comércio Exterior) e Jean-Yves le Drian (Defesa). Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal local Al-Hayat, o presidente francês expressou sua disposição a "trabalhar pela paz, a segurança e a estabilidade no Oriente Médio". De acordo com

Perspectivas comerciais
Na matéria, Hollande lembra que a Arábia Saudita se tornou o "principal cliente da França" na região, com um volume de trocas que ultrapassou os 8 bilhões de euros em 2013 - dos quais 3 bilhões correspondem a exportações francesas. A balança comercial, no entanto, é deficitária para a França por conta das importações de petróleo.

Entre os negócios que impulsionaram as relações comerciais entre os dois países no ano estão a vitória da francesa Alstom na concorrência para a expansão do metrô de Ryad, o fornecimento de equipamento francês à Guarda Nacional Saudita e a renovação dos navios da marinha saudita, feita pelas empresas DCNS, Thales e MBDA.

O Eliseu espera que 2014 seja um ano "brilhante". Arnaud Montebourg aposta suas fichas no projeto real de construir 16 reatores nucleares nos próximos anos, um empreendimento para o qual "a França está muito bem posicionada", garante o ministro. As oportunidades para a França podem ser impulsionadas por conta do esfriamento nas relações entre Ryad e Washington por conta das posições americanas sobre o Irã e a Síria.

Crises regionais em pauta
"O Líbano deve permanecer unido diante dos perigos que o cercam", afirmou Hollande na entrevista ao Al-Hayat. Certamente, o atentado contra Mohammad Chatah estará no centro do debate entre o presidente francês e os dirigentes sauditas. Assim como a França, a monarquia se preocupa com interferências externas no Líbano, principalmente da parte do Hezbollah.

Outra preocupação comum dos dois governos é o programa nuclear iraniano. Para Hollande, Teerã deve dar "todas as garantias necessárias" para que consiga um "acordo completo" com a comunidade internacional. Os dois países também concordam sobre a questão síria: não há solução política sem a saída de Bashar al-Assad.

O ponto de divergência é o Egito. Ryad fornece apoio incondicional ao novo poder egípcio, enquanto François Hollande pede ao Cairo que permita "a todas as correntes políticas participarem do processo de transição, abdicando da violência".
 

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