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França/China

Com visita de Xi Jinping, França e China fecham acordos de €18 bi

François Hollande (e) caminha ao lado de Xi Jinping no Hotel Nacional dos Invalides
François Hollande (e) caminha ao lado de Xi Jinping no Hotel Nacional dos Invalides REUTERS/Patrick Kovarik/Pool

Cinquenta anos depois da retomada das relações bilaterais entre a França e a China comunista, os presidentes dos dois países tiveram um encontro histórico em solo francês nesta quarta-feira. Xi Jinping foi recebido por François Hollande com todo o protocolo reservado às visitas de Estado e os dois acompanharam pessoalmente o fechamento de 20 acordos comerciais. Outros 30 contratos foram fechados por conta da visita, mas sem a presença dos chefes de Estado. Os acordos podem ultrapassar os 18 bilhões de euros.

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Os principais destes acordos foram a entrada da chinesa Dongfeng e do Estado francês na PSA Peugeot Citroën, maior montadora da França; e um contrato da Airbus para o prolongamento da operação de sua fábrica chinesa em Tianjin até 2025, além da produção de 1 mil helicópteros em parceria com a chinesa Avic, um negócio estimado entre 13 e 15 bilhões de euros.

Resgate da PSA

Para comprar 14% do capital da PSA, os dois novos acionistas desembolsaram 800 milhões de euros cada um e se equipararam em volume de ações à família Peugeot, que controla a empresa há mais de 200 anos. O acordo acontece depois de um aumento de capital de 3 bilhões de euros da empresa, que acumulou uma dívida líquida de 7 bilhões de euros nos anos de 2012 e 2013.

A companhia francesa espera que o negócio a permita reequilibrar as contas reforçando sua presença no mercado automobilístico chinês, onde ela já tem parceria com a Dongfeng. O objetivo é triplicar até 2020 o volume de produção da subsidiária chinesa DPCA, para 1,5 milhão de veículos por ano. A verba estatal deve ajudar a PSA a recuperar sua capacidade de investimento no mercado europeu.

Expansão aérea

O prolongamento do contrato de Tianjin, principal operação do grupo fora da Europa, permitirá a Airbus reforçar sua presença na China, que já responde por 20% das comandas. Um acordo paralelo deve ajudar a fabricante a realizar este objetivo: a empresa conseguiu que as autoridades chinesas assinassem uma flexibilização das regras chinesas para o tráfego aéreo, condição essencial para desenvolvimento do mercado local.

A Airbus deve ainda abrir uma nova unidade chinesa de produção, que produzirá cabines para a aeronave A330 e poderá potencializar os negócios locais, e transformar Tianjin em uma base de exportação para outros países asiáticos.

Relações bilaterais

"No plano bilateral, temos excelentes relações", declarou Hollande no início do encontro desta quarta-feira. Ele ressalvou no entanto que as duas potências têm o "dever" de reequilibrar seu comércio exterior. Em 2013, a balança comercial fechou em 26 bilhões de euros negativos para o lado francês - o que representa quase 40% de todo o déficit do país.

Hollande pretende rever esta situação por meio de negócios nas áreas em que os dois países já colaboram tradicionalmente, como a energia nuclear civil e a aeronáutica, mas também em novos setores, como o agroalimentar, a cidade sustentável e a tecnologia. "Nossa ambição", afirmou, "não é simplesmente multiplicar as trocas, mas também os investimentos".

Pompa histórica para acordos históricos

Xi Jinping e sua mulher, a cantora pop Peng Liyuan, foram recebidos pessoalmente por François Hollande no Hotel Nacional dos Invalides, na margem esquerda do Rio Sena, uma honra inédita. Depois da execução dos hinos nacionais dos dois países, os chefes de Estado partiram para o palácio do Eliseu - sede da presidência francesa - em um mesmo carro, escoltados por 104 cavaleiros da Guarda Republicana, vestidos em uniformes de gala.

Na véspera da visita à Paris, Jinping visitou a cidade de Lyon (centro-leste), principal destino dos estudantes chineses na França. Lá, ele afirmou que o objetivo de sua visita era "planejar conjuntamente o futuro, de forma que as relações sino-francesas sejam relançadas e obtenham progressos ainda mais importantes".

Na quinta-feira, o casal presidencial chinês participará de um jantar de gala e assistirá a um concerto na Ópera Real do Castelo de Versailles, em que será executada uma série de obras chinesas, além dos Contos de Hoffman, ópera de Jacques Offenbach baseada em textos do escritor E.T.A. Hoffman.

Depois da França, Xi Jinping segue sua turnê europeia em Berlim e Bruxelas.

 

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