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França/Política

Hollande pede para premiê formar nova equipe de governo

O presidente francês, François Hollande e o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, em 20 de agosto de 2014.
O presidente francês, François Hollande e o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, em 20 de agosto de 2014. REUTERS/Philippe Wojazer

O presidente francês, François Hollande, encarregou o primeiro-ministro, Manuel Valls, de formar um novo governo, que será apresentado na terça-feira (26). Segundo um comunicado da presidência, o premiê apresentou nesta manhã a demissão de sua equipe depois dos ataques do ministro da Economia, Arnaud de Montebourg, contra a política econômica do executivo.

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Essa é a primeira crise de governo socialista desde que Manuel Valls assumiu o cargo de primeiro-ministro, há menos de cinco meses, após a derrota do Partido Socialista nas eleições municipais.

Valls substituiu o ex-primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault no dia 31 de março, com a missão de restituir a autoridade da chefia de governo e de garantir a coesão de uma equipe junto ao poder executivo. A decisão de apresentar a demissão de seu gabinete foi uma medida considerada radical para romper com as críticas que poderiam enfraquecer ainda mais o governo socialista.

Nova equipe deverá ser coerente com a presidência

O ministro da Economia, Arnaud de Montebourg, que ficou em terceiro lugar nas primárias do Partido Socialista em 2012, criticou duramente nesta final de semana a política econômica de austeridade e a prioridade dada à redução dos déficits.

Essa política do governo francês segue as diretrizes da União Europeia, estabelecidas pela Alemanha. Montebourg, que foi ministro da Recuperação Produtiva durante o governo Ayrault, defende uma reorientação das políticas europeias em favor do crescimento e do emprego.

O coro das críticas foi reforçado pelo ministro da Educação, Benoît Hamon. Os dois, representantes da ala mais à esquerda do Partido Socialista, eram os principais nomes da equipe de Manuel Valls.

Em seu comunicado, o palácio do Eliseu afirmou que a nova equipe será constituída em "coerência com as orientações definidas pelo chefe de Estado".

Três governos em dois anos de mandato

O cientista político Gaspar Estrada, do Observatório Político da América Latina e Caribe (OPALC), observa que não é positivo para o presidente François Hollande mudar tantas vezes de governo em tão pouco tempo. A equipe anunciada amanhã será a terceira desde o início de seu mandato, em maio de 2012.

"Os problemas dos governos de François Hollande, isto é, dos primeiros-ministros (Jean-Marc) Ayrault e, agora de (Manuel) Valls, é que eles se tornam impopulares muito rapidamente. O primeiro governo de Valls foi (constituído) em abril, e o segundo agora, em agosto. Então, não dá para remanejar o governo assim, a cada três meses. Tem que haver uma estabilidade governamental", avalia Estrada. 

O cientista político credita a queda do governo às declarações de dois ministros de peso entre os socialistas sobre os rumos da política econômica socialista. "As declarações desses dois ministros (Arnaud Montebourg e Benoît Hamon) revelam que há um problema político claro, pela importância deles dentro do Partido Socialista. O presidente (Hollande) deve ter clareza no sentido de não poder trocar de governo a cada três meses", analisa. 

Reações

O anúncio da dissolução do governo também provocou reações de várias famílias políticas.

Do lado do principal rival de direita, UMP, houve uma chuva de críticas. François Fillon, ex-primeiro-ministro do governo de Nicolas Sarkozy, analisou os dois lados da moeda: "François Hollande agiu para tornar seu governo mais coerente. Isto é bom, se permitir que haja verdadeiras reformas. Mas a metade do quinquenato já passou e isso mostra que o presidente não é capaz, seja qual for o novo governo, de tomar decisões fundamentais".

Já a deputada do UMP, Nathalie Kosciusko-Morizet, declarou que o panorama atual é uma verdadeira crise e o fim do caminho de um presidente que perdeu, pouco a pouco, toda a credibilidade junto à opinião pública.

Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, divulgou um comunicado: "Do UMP ao Partido Socialista, os governos se sucedem, mas os políticos não mudam. De fracasso em fracasso, os mesmos homens, vindos de um mesmo sistema, levam nosso país para a beira do abismo. Nestas condições, é necessário devolver a palavra aos franceses e dissolver a Assembleia Nacional".

A ala de esquerda do PS também se pronunciou. A senadora Marie-Noelle Lienneman declarou que não se pode governar com o apoio do patronato quando se é de esquerda. "Eu peço ao presidente Hollande que discuta com o conjunto dos representantes das forças de esquerda deste país para fazer um novo pacto majoritário sobre uma política que não pode ser de ruptura total, que tenha flexibilidade".

 

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