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Ebola/Espanha

Relato de médico que tratou de paciente com Ebola choca Espanha

Profissionais de saúde protestam contra falhas na segurança no tratamento de pacientes com Ebola.
Profissionais de saúde protestam contra falhas na segurança no tratamento de pacientes com Ebola. REUTERS/Paul Hanna

Em um relatório divulgado hoje para a imprensa espanhola, o médico Juan Manuel Parra, que trabalha na emergência do Hospital de Alcorcón, em Madri, descreve a sequência de erros na proteção dos profissionais de saúde que lidaram com os pacientes contaminados com Ebola. Ele denuncia o fornecimento de uniformes inadequados e a demora no resultado de exames de laboratório.

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De acordo com o médico Juan Manuel Parra, 41, que pediu para ser colocado em isolamento do Hospital Carlos III, a roupa de proteção fornecida para a equipe médica era inadequada. “As mangas estavam curtas, o que deixava os punhos expostos”, conta Parra. Segundo médico, o uniforme completo e mais seguro (com macacão reforçado, máscara, óculos, dois pares de luvas e cobertura para os sapatos) só foi entregue quando a paciente, a enfermeira Teresa Romero,  já apresentava sintomas avançados da doença. Ele também relatou que os resultados das análises demoraram a chegar e ele só ficou sabendo que a paciente estava com Ebola por meio dos jornais.

Na Espanha, mais três pessoas foram isoladas no hospital Carlos III, em Madri, na unidade de tratamento para pessoas vítimas do Ebola. No grupo, estão os dois médicos que tiveram contato com a enfermeira Teresa Romero, primeira vítima de contaminação fora da África. Ela foi infectada ao tratar de dois missionários espanhóis que contraíram o vírus da febre hemorrágica na África. Ambos morreram.

O terceiro caso isolado ontem à noite é de um enfermeiro da equipe que esteve em contato com um dos dois religiosos que foram repatriados para a Espanha e morreram. No total, sete pessoas já foram internadas no hospital para observação. Uma auxiliar de saúde e um engenheiro que regressou da Nigéria foram liberados após os resultados negativos nos testes para Ebola.

As autoridades espanholas continuam investigando falhas no caso da enfermeira Teresa, de 44 anos. Ela teve os sintomas da doença no dia 29 de setembro, mas só foi internada no dia 5 de outubro. Dois funcionários que a levaram de casa ao hospital em uma ambulância simples disseram que o veículo ainda atendeu outros 12 pacientes sem ser desinfectado, apesar de terem dado o alerta sobre a suspeita do Ebola.

França defende controle de embarque de passageiros em países africanos

Para lutar contra a chegada do Ebola ao território francês, o governo anunciou nesta quinta-feira (9) que vai reforçar o controle nos terminais de embarque dos aeroportos dos países mais afetados pela epidemia. Para a ministra da Saúde da França, Marisol Touraine, monitorar apenas a chegada dos passageiros na França não é uma “solução milagrosa”.

Em resposta à decisão dos Estados Unidos e do Canadá de reforçar os controles na chegada dos passageiros originários de Serra Leoa, Guiné e Libéria, as autoridades francesas defendem um controle antes mesmo da partida para a França. “Todos consideram que é essencial um controle no embarque”, disse a ministra da Saúde da França, Marisol Tourraine. “Estamos trabalhando com as autoridades dos países afetados, que são soberanos, para ver em quais condições poderemos reforçar os controles no embarque”, informou a ministra.

Reforço da vigilância nos aeroportos norte-americanos

Os Estados Unidos reforçaram o controle dos viajantes vindos da África Ocidental em cinco aeroportos do país - Atlanta, Chicago, Nova York, Newark e Dulles, em Washington - numa tentativa de controlar a propagação do Ebola. O Canadá adotou a mesma medida. Passageiros que chegarem da Libéria, Serra Leoa e Guiné serão submetidos a um questionário e controle de temperatura.

O medo tomou conta dos Estados Unidos após a morte, ontem, de Thomas Duncan, o primeiro caso de Ebola no território norte-americano. Um homem, que disse ter tido contato com o liberiano, deu entrada no Hospital Presbiteriano do Texas na mesma cidade. Segundo o hospital, o paciente, cuja identidade não foi revelada, apresenta 'vários sinais e sintomas de Ebola', mas o diagnóstico não foi confirmado.

 

 

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