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Brasil/Eleições/França

Aécio vence na França e quebra hegemonia petista de 12 anos

Aécio Neves, do PSDB, chegou em primeiro entre os eleitores parisienses.
Aécio Neves, do PSDB, chegou em primeiro entre os eleitores parisienses. REUTERS/Washington Alves

Os eleitores brasileiros residentes na França já terminaram de votar e a contagem dos votos foi divulgada. O candidato do PSDB, Aécio Neves, chegou em primeiro lugar na capital francesa, com 54,8% dos votos. Já Dilma Rousseff, conseguiu apenas 39,1%, o que levou o PT a sua primeira derrota no país desde 1998. Lula e a própria Dilma haviam vencido com folga em 2002, 2006 e 2010.

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O último tucano a ser eleito pelos brasileiros residentes na França havia sido Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Considerando apenas os votos válidos, Aécio obteve 58% e Dilma, 42%. A votação em Paris terminou às 14h do horário de Brasília e transcorreu sem incidentes, com 22 urnas eletrônicas instaladas no Espace Clery, um centro de eventos alugado pelo Consulado Brasileiro no 2° distrito da capital francesa. “Transcorreu com normalidade, de maneira fluida, a exemplo do primeiro turno. E o novo local foi bem recebido pelo público”, afirmou o cônsul-geral adjunto e juiz eleitoral Rodolfo Braga.

Assim como no primeiro turno, em que 62% dos cerca de 8 mil brasileiros aptos a votar não compareceram, a abstenção foi considerada bastante alta neste domingo, já que 64% dos eleitores inscritos não apareceram para votar. As férias escolares de outono, que duram até o início de novembro, podem ter sido as responsáveis pelo alto índice, já que muita gente aproveita a época para viajar.

PT critica organização

O amplo edifício de três andares alugado pelo consulado para a realização do voto foi elogiado pela maioria dos eleitores e por mesários, mas a mudança de local foi criticada por Carla Sanfelici, fiscal eleitoral da coligação Com a Força do Povo, que apoia Dilma Rousseff. Ela acredita que o desempenho abaixo do esperado da candidata petista - que havia vencido em 2010 com 46% dos votos em Paris - se deveu, em parte, à desinformação sobre o local de votação que, pela primeira vez em muito tempo, não ocorreu no próprio consulado.

“O local de votação foi definido com pouco tempo de antecedência e houve pouca informação para uma comunidade que cresceu muito. Somos menos de 9 mil eleitores, seria viável enviar um correio postal para cada pessoa lembrando. Isso desmobilizou os eleitores. Falhou o respeito ao cidadão brasileiro de ser devidamente informado do local de votação”, afirma Sanfelici.

Boataria nos corredores

O clima tenso que permeou toda a campanha para presidente no Brasil se reproduziu no saguão, nos corredores e na Rue Clery, em frente ao prédio, onde os eleitores e integrantes da comunidade brasileira em geral se encontraram. No início da tarde, o boato sobre suposta morte do doleiro Alberto Youssef - o delator da operação Lava Jato - começou a circular. Muitos davam a morte como certa, mesmo se os principais órgãos de imprensa do Brasil desmentiram a informação.

Muitos eleitores afirmam utilizar o Facebook e o Twitter para se informar sobre a política no Brasil. O diretor de arte Fábio Costa, 36 anos, diz que está cada vez mais difícil confiar na informação que obtém pela internet. “A eleição virou um fla-flu na internet, com muitas ofensas. É preciso ponderar quando você lê blogs. Está tendo muita falsificação dos dois lados, isso é horrível. Tenho receio sobre como as pessoas vão lidar com o resultado das urnas”, afirmou Costa, pouco antes do final do voto em Paris.

Eleitores querem seção em Lyon

Outro fator que pode ter influenciado a alta abstenção dos eleitores brasileiros na França é a concentração da votação em Paris. Márcia Cansado de Araújo, 48 anos, que trabalha cuidando de idosos em Lyon, diz que votar se torno uma epopeia. “É difícil, nem todo mundo tem condições até financeiras de vir. Conheço gente que queria vir e não pode”.

Márcia e o marido enfrentaram os 460km e cerca de 5 horas de estrada entre as duas cidades, ida e volta no mesmo dia, pela segunda vez no mês, já que também compareceu ao primeiro turno. “Vim só para votar, e agora vou pegar a estrada porque trabalho amanhã cedo. Temos muitos brasileiros em Lyon e o ideal seria podermos votar lá”.

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