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França

Presidente francês recebe partidos após Brexit

Presidente François Hollande depois de reunião de 24 de junho para analisar saída do Reino Unido da Europa
Presidente François Hollande depois de reunião de 24 de junho para analisar saída do Reino Unido da Europa REUTERS/Jacky Naegelen

O Presidente francês François Hollande continua este sábado reuniões iniciadas logo após o tsunami político que foi a saída do Reino Unido da Europa, recebendo agora os chefes de partidos franceses.

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O tsunami político provocado pelo voto dos britânicos em referendo pela saída da União europeia força os principais dirigentes europeus a desdobrar-se em reuniões para a analisar o fenómeno e traçar estratégias estando na primeira linha o presidente francês François Hollande que recebe este sábado 25 de junho no Eliseu chefes de partidos franceses.

Com esta reunião deste sábado, Hollande prossegue assim a maratona começada ontem sexta-feira depois de toda a Europa ter sido sacudida pela decisão dos britânicos de abandonar a União europeia num acto soberano através do tão falado referendo conhecido por Brexit.

François Hollande, que contactou logo ontem o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o derrotado, assim como a chanceler alemã, Angela Merkel e outros líderes europeus, quer traçar um plano de acção para ultrapassar a crise criada com o Brexit.

Desses contactos decidiu-se marcar uma cimeira de chefes de estado e de governos da União europeia para 28 de junho.

A nível interno da França ao receber chefes de partidos franceses, o presidente da República, quer enviar o sinal de que o chefe de Estado está atento e que tem capacidade de com outros líderes encontrar soluções ao tsunami britânico que invadiu a Europa e antecipar assim outros solavancos que possam ser orquestrados noutros países europeus muito críticos ao funcionamento da União europeia.

Aliás, entre os chefes de partidos em França recebidos no Eliseu, há o próprio ex-chefe de estado, Nicolas Sarkozy, que pediu uma revisão dos tratados europeus, logo esta sexta-feira, após os resultados vindos do Reino Unido.

A líder da extrema direita da Frente Nacional, Marine Le Pen, reclamou, por seu lado um Frexit, quer dizer, uma saída da França da União europeia e felicitou o povo britânico.

Assim, o chefe de Estado, François Hollande, vai tentar unificar a França tentado fazer a síntese das propostas e críticas que serão feitas durante a maratona deste sábado, (25) no Eliseu.

Mas o ex-Presidente Sarkozy, que já está em campanha para as presidenciais de 2007 e em grandes dificuldades frente ao antigo primeiro-ministro, Alain Juppé, quer protagonismos e mostrou logo ontem o caminho propondo uma renogociação dos tratados europeus, que ele praticou enquanto chefe de estado.

Mas no Eliseu, a mensagem é a de que a Europa atravessa um mau momento, sendo normal que o presidente François Hollande ouça os líderes dos partidos representados no Parlamento, para ouvi-los e preparar propostas para submeter aos seus homólogos na cimeira de 28 de junho.

Logo, o sinal enviado é que  a França deve mostrar-se unida em momentos difíceis e ter capacidade de proposta nacional junto dos parceiros europeus.

Só que a França não está nada unida e vive actualmente uma grave crise política e social com manifestações e greves de diferentes sectores de actividade económica e o próprio presidente François Hollande e o seu primeiro-ministro Manuel Valls estão em queda livre nas sondagens criticados no seio do próprio partido socialista e na própria família da esquerda.

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical e candidato às presidenciais, reforçado pela popularidade que está a ter nas sondagens à frente do próprio chefe de estado Hollande, reagiu igualmente esta sexta-feira, dizendo que o sinal enviado pelos britânicos é o fim da "Europa dos privilégios".

Com uma taxa de desemprego crónica sobretudo entre os jovens a França e a Europa duma maneira geral estão atravessadas por uma autêntica revolta dos povos da Europa que se sentem traídos pelas propostas feitas pela União europeia de que o continente unido teria mais empregos e melhores salários.

A realidade é completamente diferente com desemprego em massa e as populaçoões desorientadas sem líderes à altura, razão pela qual, estão a virar-se para populistas e extremismos de direita e de esquerda, que certamente, não têm soluções para a grave crise política, social, económica e financeira que vive a Europa.

Entretanto, ouça aqui o relato das conclusões da reunião que terminou no fim da tarde já com diferentes declarações de actores que nela participaram, como o ex-presidente Sarkozy, que reafirmou, o que já tinha declarado antes e defendeu acordos intergovernamentais.

João Matos sobre a França e o Brexit

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