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FRANÇA

França: Benoît Hamon candidato da esquerda

Benoît Hamon, vencedor das primárias da esquerda francesa, 29 de Janeiro de 2017.
Benoît Hamon, vencedor das primárias da esquerda francesa, 29 de Janeiro de 2017. REUTERS/Christian Hartmann

Benoît Hamon ganhou as eleições primárias da esquerda francesa ao derrotar na segunda volta Manuel Valls. O ex primeiro ministro socialista perdeu para o antigo ministro da educação, da ala esquerda. Este último deixara o governo cessante por discordar da respectiva política.

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Benoît Hamon avista-se com primeiro-ministro Bernard Cazeneuve e brevemente com presidente da república François Hollande: a ala reformista do ps leva a melhor perante ala liberal, no poder, visando as eleições presidenciais de Abril.

O antigo ministro da educação obteve 58,71% dos votos contra 41,29% para o ex primeiro-ministro Manuel Valls.

No rescaldo da sua vitória Hamon apelou à união da esquerda que conta ainda com outros três candidatos declarados, Jean Luc Mélenchon, da extrema esquerda, Yannick Jadot pelos ecologistas e Emmanuel Macron, da esquerda liberal.

"Terei a honra de encarnar as vossas aspirações de progresso, as vossas expectativas de justiça e quero dar-lhes novos caminhos.

Tenho a convicção de que perante uma direita dos privilégios, uma direita conservadora e uma extrema direita destruidora o nosso país precisa da esquerda.

Quero começar por reunir os socialistas, todos os socialistas porque se trata da minha família política a quem consagrei 30 anos de compromisso.

Será também reunir a esquerda e os ecologistas. Desde esta segunda-feira vou propor a todos os candidatos desta primária, mas também a todos os que se reconhecem na esquerda e na ecologia política, em particular Yannick Jadot et Jean-Luc Mélenchon, a pensar só no interesse dos franceses, além das nossas pessoas.

Propor-lhes-ei que construamos juntos uma maioria governamental coerente e duradoura em prol do progresso social, ecológico e democrático."

A participação na segunda volta das eleições primárias foi superior à da primeira cifrando-se em 2 037 593 contra 1,6 milhões na semana seguinte.

Benoît Hamon anunciou imediatamente que proporia a Jean-Luc Mélenchon, conotado com a extrema esquerda, e a Yannick Jadot, dos ecologistas, construirem juntos uma maioria.

Além destes três candidatos da esquerda, declarados, na corrida rumo ao Palácio do Eliseu há ainda um antigo ministro, o da economia, do governo cessante, Emmanuel Macron.

Este também recusou participar nas primárias e tem sido uma das revelações dos últimos tempos com um discurso liberal a seduzir tanto à esquerda como à direita e com comícios apinhados.

Na óptica do analista de origem angolana a residir em França Felício Manu, nunca a esquerda abordou eleições presidenciais tão dividida e, ao referir que a vitória de Hamon nestas primárias traduz uma relação complexa dos eleitores com o balanço do governo cessante, considera também que vai ser difícil reconciliar a família socialista.

Refira-se ainda que, por sua vez, a direita optou por escolher o antigo primeiro-ministro François Fillon, Marine Le Pen, da extrema direita, será a candidata da Frente nacional.

A maioria das sondagens prevêem uma segunda volta entre Fillon e Le Pen.

Porém nos últimos tempos as sondagens têm sido sistematicamente desmentidas nas urnas e François Fillon está a ser abalado por um escândalo envolvendo o suposto emprego fictício da sua esposa, factos por ele contestados.

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