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Política/França

França: ex-Primeiro-ministro abandona Partido Socialista

Manuel Valls, ex-Primeiro-ministro de França.2017
Manuel Valls, ex-Primeiro-ministro de França.2017 REUTERS/Philippe Wojazer

Depois de 35 anos de militantismo, o antigo Primeiro-ministro francês Manuel Valls, anunciou nesta terça-feira que abandona o Partido Socialista. Segundo os analistas, a partida de Valls é o sintoma da decomposição dos socialistas que continuam a lutar pela sobrevivência. Fortemente criticado pela esquerda do Partido Socialista, Manuel Valls declarou à uma estação de rádio privada parisiense, que uma fase da sua vida política terminava. Agora eleito deputado, mas sem etiqueta política,Valls disse que, ou ele abandonava o Partido Socialista, ou seria este último quem o abandonaria.

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Eu partir de hoje, deixo de ser militante do Partido Socialista, declarou o ex-Primeiro-ministro Manuel Valls.

Com 54 anos de idade, Manuel Valls aderiu ao Partido Socialista francês aos 17 anos. Em 1980 , época do chamado programa comum da esquerda, os socialistas tinham o vento em poupa.

No ano seguinte seguinte, em 1981, o candidato socialista François Mitterrand vencia a eleição presidencial, levando a esquerda ao poder , pela primeira vez depois de duas décadas.

Se compararmos com 2017 o contraste é cruel. Benoît Hamon candidato socialista , que Manuel Valls não apoiou, foi eliminado logo na primeira volta da presidencial de 2017 em Abril, ao beneficiar de apenas 6,3% dos votos, o pior resultado obtido pelo Partido Socialista desde 1969.

A situação interna dos socialistas franceses agravou-se com a derrocada nas legislativas de 11 e 18 de Junho de 2017.

O Partido Socialista obteve somente 30 assentos na nova Assembleia Nacional, contráriamente aos 280 que possuía na legislatura de 2012/2017.

Esta decomposição histórica do Partido Socialista francês, fez com que o seu primeiro secretário Jean-Christophe Cambadèlis, derrotado nas legislativas , anunciasse a sua demissão do cargo, em 18 de Junho, noite da sua própria derrota.

É neste contexto, que Manuel Valls decidiu encerrar um capítulo da sua história, como dirigente político.

"Por razões de coerência decidi integrar a maioria parlamentar. Uma parte da minha vida política termina aqui. Eu abandono o Partido Socialista e o Partido Socialista me abandona. Eu tinha aderido ao Partido há 37 anos. Na época enderecei uma carta a Bertrand Delanoe que coordenava as adesões ao Partido Socialista, perguntando-lhe se um jovem espanhol, porque na altura eu ainda espanhol, podia ser membro do Partido,e ele respondeu-me que sim. Sinto muita amargura e muita tristeza perante o que se tornou o Partido Socialista. Agora, tudo o que desejo é que o novo quinquénio seja um êxito para a França".(Manuel Valls)

Natruralizado francês aos 20 anos , Manuel Valls foi um membro do Partido Socialista que sempre apostou na transgressão em matéria de linha política partidária.

A sua tendência social-liberal exasperou sobretudo a esquerda do Partido Socialista, para quem ele era o homem a ser excluído.

Ao anunciar o seu abandono do Partido da rua Solférino, em Paris, o antigo Primeiro-ministro de François Hollande(2012-2014), já marginalizado nos últimos meses, confirma a sua opção social-liberal e vai ingressar na bancada parlamentar da maioria presidencial, respeitando a sua lógica, uma vez que ele tinha manifestado o seu apoio à eleição de Emmanuel Macron.

 

                           

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