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Violadores à solta em França e Estados Unidos...

Capa da revista L'OBS sobre violência e assédio sexuais em França e nos Estados Unidos
Capa da revista L'OBS sobre violência e assédio sexuais em França e nos Estados Unidos RFI

Reacções em catadupa em vários círculos do poder político, da imprensa e de movimentos de defesa da mulher, após o escândalo sexual de um produtor americano de Hollywood, incitando mulheres vítimas de agressão sexual em França a denunciar esta situação que ocorre igualmente no país dos direitos humanos.

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Milhares de testemunhos e uma onda de denúncias na imprensa e em vários círculos da sociedade mas também no próprio Parlamento francês, depois do escândalo sexual Weinstein, famoso produtor americano de Hollywood.

"Há uma aparente tomada de consciência do assédio, agressão e violência sexuais contra mulheres e raparigas, mas certos analistas, interrogam-se se isto vai mesmo modificar comportamentos de violadores e agressores.

Isto, porque num passado recente, houve um caso idêntico, o de Strauss-Kahn, antigo ministro francês, que era então, o preferido dos franceses para ser Presidente da República. 

Strauss-Kahn, que pagou os melhores advogados americanos e franceses para o defenderem em tribunal, foi ilibado, após passar pela prisão alguns dias, nos Estados Unidos, por violação sexual duma empregada de quartos de um hotel americano, onde estava hospedado, na altura em que dirigia o FMI.

Outros nomes de franceses, do mundo do poder político, económico, cultural e jornalístico, circularam na imprensa, mas tudo acabou em nada.

Mas o escândalo do americano Weinstein, que pagou advogados para defender o ex-presidente americano, Bill Clinton, no caso de escândalo sexual, Monica Lewsinky, provoca esta nova onda de indignação em todo o mundo.

Utilizando vários hashtags em várias línguas, como #EuTambem #moiaussi #denoncetonporc ou  #balancetonporc ou #metoo, vítimas de violações e agressões sexuais são motivadas a denunciar os seus violadores nas redes sociais e em diferentes sectores da vida pública nos seus países.

Aqui em França, "este tipo de denúncia é novidade, mas o que acontece, agora, é o resultado de um trabalho militante, associativo e intelectual de váriao decénios", declara, Christine Bard, feminista, historiadora, professora universitária.

"Quando vimos que milhares de mulheres quebram o silêncio denunciando violações e assédios sexuais, na rua ou no trabalho, isto faz-nos acreditar que as coisas estão a mudar," acrescenta.

"Há uma negação sobre a dimensão e a realidade de violências sexistas em França", relativiza a socióloga, Alice Debauche, da Universidade de Estrasburgo.

O canal de Televisão M6, suspendeu a difusão de "La France a un incroyable talent", (A França tem um talento incrível) depois de alegações de assédio sexual e agressões sexuais contra o Produtor canadiano, Gilbert Rozon, pilar do júri da emissão.

No magazine de informação, l'Express, a filha do ex-ministro, Eric Besson, Ariana Fornia, acusou o antigo ministro e membro do Tribunal constitucional, Pierre Joxe, de a ter agredida sexualmente, 2010, o que não duma "grande mentira", segundo o constitucionalista.

Uma sondagem da Odoxa-Dentsu, para o jornal Le Figaro e a Rádio, Franceinfo, afirma que 53% das mulheres dizem ser vítimas de agressão sexual e de assédio sexual.

Em relação ao hashtage #balancetonporc, 61% das mulheres e 52% dos homens pensam ser "uma boa coisa". Mas 38% das mulheres e 47% dos homens, consideram que é "uma má coisa", porque são "denúncias sem provas que podem provocar muitas derrapagens".

A nível político, o presidente francês, Macron, declarou que em França, ainda "hoje não se ousa apresentar queixa".

O governo francês prepara para 2018 uma proposta de lei conta o sexismo e a violência sexual. 

A nível europeu, na Holanda, um relatório sustentado pela ONU, afirmou quarta-feira, que pelo menos 1.320 raparigas, de 12 a 17 anos, são anualmente vítimas de exploração sexual.

Representam cerca de metade de mulheres vítimas de tráfico de seres humanos na "indústria sexual" holandesa, sublinha no documento, Corinne Dettmeijer, relatora nacional sobre o tráfico de seres humanos e violência sexual contra crianças.

Várias denúncias do género ocorreram um pouco por toda a Europa, com o despoletar do escândalo do americano Weinstein, que é muito mais vasto nos Estados Unidos.

O antigo director de campanha presidencial de Hillary Clinton, John Podesta, é suspeito de crimes de pedofilia, Anthony Wiener, antigo marido de Huma Abedin,  principal conselheira da ex-chefe da diplomacia americana, cumpre pena de prisão por crimes pedófilos, entre várias outras personalidades.

Caso do magnata da ilha orgíaca de pedófilos, Jeffrey Epstein, ou personalidades do mundo político e do cinema americano.

Está em curso uma série de investigações do FBI, fazendo parte deste escândalo chamado de Pizzagate e agora #weinsteingate.

 

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