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FRANÇA

França: caso Benalla debatido em comissão no parlamento

Ministro francês do Interior Gérard Collomb ouvido pelos deputados da comissão das Leis da Assembleia nacionalée, em Pari, a 23 de Julho de 2018.
Ministro francês do Interior Gérard Collomb ouvido pelos deputados da comissão das Leis da Assembleia nacionalée, em Pari, a 23 de Julho de 2018. REUTERS/Philippe Wojazer

O ministro francês do interior, Gérard Collomb, e o governador civil de Paris, Michel Delpuech, prestaram hoje contas perante a Comissão das leis da Assembleia nacional. Em causa o alto funcionário Alexandre Benalla, filmado a espancar manifestantes em Paris na manifestação de 1 de Maio.

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O caso viera a público por intermédio de um vídeo divulgado pelo vespertino independente Le Monde.

O ministro Gérard Collomb confirmou ter sido informado a 2 de Maio daquela ocorrência, mas que só se apercebeu a 18 de Julho, dia do artigo do Le Monde, que Alexandre Benalla fora filmado na posse indevida de uma braçadeira e de um rádio nessa ocorrência.

Só aí é que pediu uma comissão de investigação, afirmou o ministro de Estado e segunda figura do governo francês.

O antigo presidente da câmara de Lyon, muito próximo do chefe de Estado, realçou o facto de que a 2 de Maio tanto o gabinete do presidente como o governador civil tinham sido informados.

Gérard Collomb remeteu para o Governo civil o pedido de uma acção da justiça neste caso.

Ouça aqui as declarações de Gérard Collomb.

Pode ainda ler as declarações do ministro francês do interior:

"O chefe do Estado-Maior sabia que ele devia participar na manifestação enquanto observador. O Senhor Benalla foi então recebido na manhã de 1 de Maio, e foi-lhe entregue um capacete e protecções, isto segundo as notas da IGPN, Inspecção Geral da Polícia Nacional. Refiro ainda que a braçadeira e o rádio não lhe foram fornecidos nessa altura em específico.

Eu tinha assegurado a 2 de Maio que, quer seja o Gabinete do Presidente da República, quer seja o Governo Civil, foram informados do vídeo que põe em causa o Senhor Benalla. Cabe a eles a responsabilidade de agir, essa é a regra para estes casos. É apenas após a divulgação do caso num artigo a 18 de Julho do "Le Monde", com novos elementos e a descoberta de novas imagens, onde o Senhor Benalla tinha uma braçadeira da polícia e um rádio, que considero que temos de ter mais informações sobre o caso", concluiu o ministro francês do interior.

Ele deverá prestar mais esclarecimentos nesta terça-feira, desta feita perante a câmara alta do parlamento, o Senado.

Entretanto esta tarde coube a Michel Delpuech prestar contas perante esta comissão da Assembleia nacional, a câmara baixa do parlamento.

Ele alegou pensar que o caso tivesse sido tratado pela presidência da república logo no dia seguinte à sua ocorrência.

E isto por ter contactado o ministério do interior sobre o caso que lhe afirmara que estavam já em ligação com a presidência da república sobre o ocorrido.

Delpuech afirmou ter pensado que o "assunto Benalla tivesse sido tratado pela autoridade hierárquica da qual dependia".

"Quando fui alertado pelo Eliseu tomei duas iniciativas. Entrei em contacto com o director de gabinete do Ministro do interior.

Ele respondeu-me que o gabinete do ministro já tinha sido informado do ocorrido e que estava já em contacto com o Eliseu sobre o assunto.

Após este e outros contactos nesse dia, nomeadamente com o gabinete do Eliseu, era para mim adquirido que o caso Benalla fora tratado pela respectiva autoridade hierárquica.

Na realidade foi o que ocorreu: já que o senhor Benalla foi convocado pelo director do gabinete do presidente tendo ele sido alvo de uma sanção.

Numa segunda vertente desencadeei uma investigação interna para saber como é que o senhor Benalla acabara por ir ter à praça Contrescarpe sem que eu tivesse sido informado de tal."

Alexandre Benalla foi formalmente acusado na noite de domingo por actos de violência contra um manifestante foi demitido das suas funções de assessoria junto da presidência francesa após terem sido tornadas públicas estas acusações de usurpação de competências e de espancamento de manifestantes.

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