Acesso ao principal conteúdo
França

Macron assume responsabilidade no caso Benalla

Alexandre Benalla (esquerda) e o Presidente da República, Emmanuel Macron (centro).
Alexandre Benalla (esquerda) e o Presidente da República, Emmanuel Macron (centro). CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / POOL / AFP

A França continua a viver ao ritmo das audiências das comissões de investigação sobre o chamado caso Benalla. Um colaborador do presidente que acabou por ser despedido na semana passada e acusado de violência contra um manifestante.

Publicidade

O caso Benalla está a tornar-se num assunto de Estado em França. Todos os dias responsáveis políticos são interrogados sobre o que aconteceu com Alexandre Benalla, colaborador do Presidente da República.

O chefe de Estado, Emmanuel Macron, reagiu perante os deputados do seu partido "La République en Marche", afirmando que o único responsável foi ele:

"Alexandre Benalla nunca teve os códigos nucleares. Alexandre Benalla nunca ocupou um apartamento de 300 metros quadrados no bairro de l’Alma. Alexandre Benalla nunca ganhou 10 mil euros por mês, e Alexandre Benalla, ele também, nunca foi o meu amante. Isto são coisas que ouvimos nestes últimos dias. Pouco importa o que acontecer ou o que se passar neste caso, não posso esquecer o que ele fez. E se eles procuram um responsável, podem dizer-lhes que ele está perante vocês. O único responsável deste caso sou eu, e apenas eu. Aquele que confiou em Alexandre Benalla, fui eu, o Presidente da República. Aquele que sabia o que aconteceu e validou a sancção fui eu. Os valores que nos fizeram, que nos conduziram até aqui, não foram da República do ódio, a que sanciona um colaborador aqui ou outro ali. Não se pode ser chefe quando tudo corre bem e tentar fugir quando as coisas correm mal", afirmou o presidente da República.

Laurent Franck Lienard, advogado de Alexandre Benalla, deu a versão dos factos do seu cliente sobre o espancamento de um popular à margem dos desfiles de dia 1 de Maio.

"Foi uma iniciativa pessoal numa situação que, a seu ver, ultrapassava os limites do aceitável. Como ele era observador dos serviços da polícia ele decidiu intervir por iniciativa pessoal. Ele não tinha poder de intervenção, mas acabou por o fazer por achar que tal era justificado e legítimo. Na óptica dele ao fazê-lo ele assumia o papel de cidadão. Um cidadão que pode intervir em caso de flagrante delito, foi o que ocorreu e ele interveio. Ou seja levou uma rapariga até à polícia e levanta à força alguém que resiste para o levar também à polícia. Nem um nem outro ficaram feridos. Estamos perante um não acontecimento. Neste contexto ele contava era ter uma palavra de apoio do presidente", concluiu.

Governo cerra fileiras

O porta-voz do Governo, Benjamin Griveaux, afirmou que várias informações erradas foram veículadas pelos meios de comunicação e poucas foram desmentidas, como por exemplo os dados sobre o ordenado de Alexandre Benalla ou ainda sobre o alojamento que ele podia ter.

Benjamin Griveaux decidiu intervir perante a imprensa e confirmar as críticas do Presidente da República que realçou que a comunicação social não procura a verdade e que quer ter um poder judicial e não apenas mediático.

No entanto o porta-voz do Governo realçou que o poder continua a acreditar num trabalho livre e independente da imprensa, que é uma das jóias da Democracia francesa, desejando porém que a comunicação tente confirmar as informações que recebe.

De notar ainda que os deputados do partido "La République en Marche" afirmaram nesta quarta-feira que não é necessário serem ouvidos outros membros do gabinete de Emmanuel Macron, o que a oposição contesta.

Oposição ataca e contra-ataca

O deputado dos Republicanos, partido da direita, Fabien Di Filippo, afirmou que Emmanuel Macron "não assumiu nada, apenas admitiu", desejando agora que haja "respostas claras sobre este escândalo". A oposição quer ouvir o Presidente da República perante a comissão de investigação.

O primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, ironizou nas redes sociais: "O novo mundo perdeu toda a sua credibilidade".

Quem também não apreciou a intervenção de Emmanuel Macron foi Marine Le Pen, líder do partido "Rassemblement National", afirmando: "A Constituição, o que não contestamos, protege (o Presidente) de qualquer obrigação de prestar contas. Ele podia ter dito que cometeu um erro, toda a gente podia compreender isso".

De referir que o Presidente da República vai estar em Portugal para uma visita-oficial, enquanto o caso Benalla continua a dar que falar.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Faça o download da aplicação

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.