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França

Cardeal Barbarin vai apresentar renúncia ao papa

Cardeal Philippe Barbarin na conferência de imprensa de 07 de Março de 2019, em Lyon.
Cardeal Philippe Barbarin na conferência de imprensa de 07 de Março de 2019, em Lyon. JEAN-PHILIPPE KSIAZEK / AFP

O cardeal francês Philippe Barbarin foi condenado, esta quinta-feira, a seis meses de prisão com pena suspensa e anunciou que vai apresentar a sua renúncia ao papa “nos próximos dias”.

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O mais alto dignitário da Igreja Católica em França, o cardeal Barbarin, foi considerado, esta quinta-feira, culpado por não-denunciação de abusos sexuais sobre crianças pelo padre Bernard Preynat, que teria abusado de mais de 70 escuteiros da diocese e que deverá ser julgado no final do ano.

O cardeal Barbarin e Régine Maire, antiga benévola da diocese de Lyon, eram também acusados de não terem prestado ajuda às vítimas e de terem deixado o padre Preynat em contacto com crianças até Setembro de 2015, ainda que as queixas remontem, essencialmente, aos anos 80.

O tribunal correccional de Lyon decidiu, assim, pronunciar seis meses de prisão com pena suspensa para o cardeal. Os advogados de Defesa afirmaram que vão recorrer da sentença.

Apesar de não ter estado presente na audiência, o cardeal Barbarin anunciou, pouco depois, em conferência de imprensa, que vai apresentar a sua renúncia ao papa nos próximos dias.

Tomo nota da decisão do tribunal. Independentemente do meu destino pessoal, quero reiterar, em primeiro lugar, a minha compaixão para com as vítimas e o espaço que elas e as suas famílias têm nas minhas preces. Decidi ir ver o Santo Padre para lhe apresentar a minha renúncia. Ele vai receber-me daqui a alguns dias”, afirmou o arcebispo de Lyon.

François Devaux, um dos queixosos e fundador da associação “La Parole Libérée” - que deu origem ao filme “Grâce à Dieu” de François Ozon que saiu há uma semana – afirmou que “os tempos mudaram sem dúvida”.

Trata-se de uma mensagem forte enviada à Igreja de França e do mundo e ao próprio papa Francisco. Talvez isto os ajude a reposicionar a sua dimensão um pouco sagrada e os traga de volta à terra”, afirmou François Devaux.

Absolvição por prescrição para cinco antigos membros da diocese de Lyon

O tribunal absolveu cinco antigos membros da diocese de Lyon por considerar que os factos estavam prescritos. Eles eram também acusados de “não-denunciação de agressões sexuais sobre menores de 15 anos”.

Nos últimos três anos, as revelações sobre o cardeal Barbarin incarnaram a crise da Igreja francesa face à pedofilia. A sentença foi ditada cerca de duas semanas depois da cimeira inédita no Vaticano sobre pedofilia na Igreja Católica.

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