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Artes

Modelos negros representados no Museu d'Orsay

Áudio 10:40
Artista plástico guineense, na exposição  "O modelo negro de Géricault a Matisse" no museu d'Orsay
Artista plástico guineense, na exposição "O modelo negro de Géricault a Matisse" no museu d'Orsay RFI

"O modelo negro de Géricault a Matisse" cruza história da arte e história das ideias, questiona problemáticas estéticas, mas também políticas, sociais e raciais.O Museu d'Ordsay apresenta pela primeira vez modelos negros. Na altura talvez escravos e sob castigo, os nomes desconhecem-se, mas os olhares cruzaram-se com os autores das obras e hoje estes protagonistas cruzam os nossos olhares.

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Para o artista guineense Nu Barreto este é "um retrato da escravatura, mas há também uma parte sobre a ocupação. Não vemos apenas retratado o colonialismo físico como também intelectual".

A historiadora de arte Anne Laffont afirmou que "até hoje não vimos estes modelos na arte porque não os queríamos ver, porque lembram, pela presença, o tabu da escravatura e a sua violência insuportável de assumir".

O museu d'Orsay "põe em evidência uma problemática que afecta a sociedade. A exposição está a ter sucesso, o museu está cheio e é isto que é preciso; trazer mais pessoas e criar uma transformação", descreve Nu Barreto.

Centrada na questão do modelo, a exposição "O modelo negro de géricault à matisse" recria o diálogo entre o artista que pinta, esculpe, grava ou fotografa e o modelo que posa. É sobretudo uma exposição que pede uma reflexão sobre direitos humanos destaca o artista plástico.

Nestes quadros vê-se que "há uma forma de tratar o modelo negro que é, obviamente, diferente de um modelo europeu ou branco. É tratado com muito sofrimento e revolta. Na postura, o artista retratou a decadência dos modelos, muito provavelmente as pessoas viviam nessas condições. Foi o que mais me chocou", lembra o artista plástico.

"Na altura, era necessário retratar a realidade porque hoje não falaríamos dela. Há obras que foram escondidas durante séculos e hoje estão aqui. Isso é uma vitória porque as coisas devem ser ditas e faladas", defende Nu Barreto.

Uma exposição que explora a forma de representação de negros nas obras maiores de Théodore Géricault, Charles Cordier, Jean-Baptiste Carpeaux, Edouard Manet, Paul Cézanne ou ainda Henri Matisse.

 

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