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Artes

A homenagem de Paris a Teresa Villaverde

Áudio 15:05
retrospectiva de Teresa Villaverde no Centre Pompidou de 14 de Junho a 1 de Julho.
retrospectiva de Teresa Villaverde no Centre Pompidou de 14 de Junho a 1 de Julho. Centre Pompidou

O Centro Pompidou, em Paris, propõe uma retrospetiva inédita da obra da realizadora portuguesa Teresa Villaverde. Até 1 de Julho, os espectadores vão poder assistir a todos os seus filmes, nomeadamente “Três irmãos”, “Os Mutantes”, “Transe” e “Colo”. Uma oportunidade eventual para "ver a obra toda de seguida" até porque "assim é que se percebe a pessoa". 

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Num momento em que a França chega uma imagem de um Portugal saído da crise, a chegada às salas francesas do último filme de Teresa Villaverde, "Colo", desperta o espectador para o lado esquecido do “Portugal da Troika” e para as tragédias que contrapõem o chamado “milagre económico português”. Entre realismo e onirismo, "Colo" acompanha uma família a desintegrar-se.

A falta de colo, a melancolia, a revolta, o sentimento de orfandade, a hostilidade do espaço urbano, a inadaptaão e a solidão são temas que pintam toda a sua obra e o Pompidou dá agora a possibilidade de descobrir ou redescobrir uma cineasta singular. E só vendo a obra toda de seguida "se percebe melhor a pessoa", considera Teresa Villaverde nesta entrevista realizada numa das salas do Centro Pompidou.

“Estou muito grata por este convite até porque muitas vezes os meus filmes não são muito vistos em França e em Paris. Assim, há esta oportunidade de quem quer ver poder ver e poder ver todos os filmes. Por acaso é uma coisa que para mim sempre foi importante em relação a outros cineastas: " Não estou a imaginar muitos espectadores que venham ver os filmes todos, mas acho que essa é uma oportunidade óptima e também para eu falar com as pessoas”, afirmou.

Oiça a entrevista clicando na imagem principal.

 

Nascida em Lisboa em 1966, Teresa Villaverde colaborou com João César Monteiro, José Álvaro Morais e João Canijo antes de se lançar, nos anos 90, como realizadora e é da mesma vaga de realizadores como Pedro Costa e João Pedro Rodrigues. No seu percurso premiado, destacam-se, por exemplo, “Três irmãos” (1994), que teve estreia mundial em Veneza, “Os Mutantes” (1998) e “Transe” (2006), ambos selecionados para Cannes.

O filme “Colo”, cujo título em francês é “Contre ton coeur”, chega às salas francesas a 19 de junho, tendo ante-estreia esta sexta-feira, depois de ter estreado em Portugal em outubro do ano passado e de ter sido apresentado no festival de cinema de Berlim. “Colo” também venceu o Prémio Sauvage no festival francês “L'Europe Autour de l'Europe” e o grande prémio Bildrausch Ring of Cinema Art, no festival suíço Bildrausch, dedicado ao cinema de autor.

 

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