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França

Morreu o símbolo do debate francês sobre eutanásia

Hospital onde estava internado Vincent Lambert, em Reims. 11 de Julho de 2019.
Hospital onde estava internado Vincent Lambert, em Reims. 11 de Julho de 2019. FRANCOIS NASCIMBENI / AFP

O francês Vincent Lambert, paciente tetraplégico em estado vegetativo persistente desde um acidente de viação em 2008, morreu esta quinta-feira, dias depois de lhe terem sido desligadas as máquinas que o mantinham em vida. Termina, assim, uma longa batalha jurídica, mediática e política que teve como pano de fundo o debate sobre a legalização da eutanásia.

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Vincent Lambert tinha-se tornado no símbolo do debate sobre a eutanásia em França. O antigo enfermeiro, de 42 anos, encontrava-se em estado vegetativo persistente e com lesões cerebrais consideradas irreversíveis desde um acidente de viação em 2008.

Morreu esta quinta-feira, nove dias depois de o hospital onde estava internado ter iniciado o processo de interrupção do fornecimento de água e alimentos por via endovenosa, enquanto aumentava a sedação do paciente. Termina, assim, uma intensa luta nos tribunais entre os familiares do paciente.

A sua esposa, o seu sobrinho e cinco dos seus irmãos pediam que o deixassem morrer e afirmavam que Vincent Lambert lhes tinha dito que preferia morrer do que viver “como um vegetal”, ainda que ele nunca tenha escrito qualquer documento a formalizar essa intenção. Os seus pais, católicos conservadores, uma irmã e um meio-irmão opunham-se rigorosamente a deixá-lo morrer.

Em Abril de 2013, a esposa e os médicos que o acompanhavam decidiram desligar as máquinas do paciente que se encontrava já em estado vegetativo e sem sinais de melhoria, mas os pais discordaram. Desde então, a decisão ficou nas mãos dos tribunais. Este ano, no final de Junho, um tribunal acabou por ordenar que se desligassem as máquinas, contrariando a decisão de 20 de Maio de um outro tribunal que se alinhava com a decisão de 3 de Maio do Comité Internacional dos Direitos das Pessoas Deficientes.

“É um alívio que ele tenha partido porque, concretamente, ele sofreu até ao fim”, declarou aos jornalistas François Lambert, o sobrinho.

Os advogados dos pais, Jean Paillot et Jérôme Triomphe, emitiram um comunicado onde falam em "crime de Estado". "Vincent morreu e foi morto por razões de Estado e por um médico que renunciou ao seu Juramento de Hipócrates”. O Vaticano também reagiu e apontou a morte de Vincent Lambert como “derrota para a humanidade”.

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