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Mudanças climáticas/ONU

Conferência em Cancún deve vencer resistências ao Protocolo de Kyoto

Greenpeace protesta com um balão onde pode-se ler "salvem o clima" às margens da cúpula sobre mudanças climáticas que começa nesta segunda-feira em Cancún.
Greenpeace protesta com um balão onde pode-se ler "salvem o clima" às margens da cúpula sobre mudanças climáticas que começa nesta segunda-feira em Cancún. Reuters

Um ano após a fracassada Cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, representantes de cerca de 190 países voltam a se reunir, a partir desta segunda-feira, em Cancún, para uma nova rodada de discussões para lutar contra o aquecimento do planeta.

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As reuniões da Cop-16, no México, já começam em clima de pessimismo e a expectativa é baixa. Especialistas têm poucas esperanças de que o encontro termine com um acordo global vinculante, definindo metas para a redução dos gases que provocam o efeito estufa.

As negociações são prejudicadas pela crise econômica na Europa e pela falta de uma lei nacional de mudanças climáticas nos Estados Unidos.

O mais provável é que os países deixem para a conferência de 2012, na África do Sul, a assinatura de um acordo válido juridicamente para limitar o aumento da temperatura no planeta em dois graus.

Apesar de correr o risco de um esvaziamento político, com uma participação menor de chefes de Estado, a Conferência de Cancún tem o desafio de fazer as negociações resultarem em avanços em áreas específicas, como financiamento, mitigação e adaptação.

A secretária-geral da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, afirma que avanços podem ser obtidos em áreas como desmatamento, através do mecanismo chamado Redd. Ele prevê compensar os países com florestas tropicais por suas ações para a redução das emissões de gases oriundas de desmatamento ou degradação de suas florestas nativas.

Também pode haver avanços na criação do fundo de 100 bilhões de dólares prometido em Copenhague, na Suécia, para financiar, até 2020, a luta contra o aquecimento nos países mais pobres.

Brasil vai defender prorrogação do protocolo de Kyoto

Mais controverso, os países devem decidir o próximo passo para o protocolo de Kyoto, cuja primeira fase termina em 2012. Há algumas possibilidades, como a prorrogação do atual protocolo, a criação de um novo acordo com metas mais ambiciosas ou a manutenção do atual protocolo com metas atuais.

Países como Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia são contra a prorrogação do protocolo. Esta posição será defendida pelo Brasil em Cancún, como explicou à Rádio França Internacional o embaixador extraordinário brasileiro para Mudanças Climáticas, Sergio Serra.

"Nós vamos batalhar para que haja, na Cop, uma indicação concreta para um segundo período de compromisso do protocolo de Kyoto. Achamos que esse avanço é viável. O que talvez não seja possível por enquanto é determinar metas", diz Sergio Serra.

Outra expectativa é saber se Cancún vai marcar a polarização entre Estados Unidos e China, que ficou evidente em Copenhague e nas reuniões preparatórias para a Conferência de Cancún, principalmente em relação à verificação das ações de mitigação.

A proposta que começou a ser delineada na última conferência do clima da ONU, realizada em dezembro do ano passado, em Copenhague, é a de que seria criado um órgão para acompanhar as ações internas de mitigação das mudanças climáticas realizadas pelos países em desenvolvimento. São as chamadas ações Mensuráveis, Reportáveis e Verificáveis (MRV), que servem como contrapartida voluntária aos compromissos de redução de emissões dos países desenvolvidos.

Por um lado, os Estados Unidos e outras nações ricas querem que haja um rigoroso controle internacional com cobranças de resultados para todas as ações de luta contra as mudanças climáticas, mesmo as que não recebam financiamento externo. A China e outros países em desenvolvimento consideram essa cobrança uma ingerência e defendem controles nacionais.

Outro problema é que o congresso norte-americano não aprovou as metas de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, apresentadas em Copenhague. A delegação norte-americana afirma, entretanto, que continua engajada com as metas apresentadas e vai aplicá-las mesmo sem o apoio da maioria do Senado.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Cancún vai até o dia 10 de dezembro.

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