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Justiça/Battisti

Battisti pede perdão, mas recusa a responsabilidade dos assassinatos

O ex-ativista italiano Cesare Battisti, libertado pela justiça brasileira, nega responsabilidade nos crimes.
O ex-ativista italiano Cesare Battisti, libertado pela justiça brasileira, nega responsabilidade nos crimes. Reuters/RICARDO MORAES

Em entrevista à imprensa italiana, o ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisiti pediu perdão pelos atentados cometidos na Itália nos anos 70. Mas o ativista, que vive atualmente no Brasil, onde foi liberado pela justiça, recusou qualquer responsabilidade direta nos assassinatos. Os familiares das vítimas pedem que Battisti mostre as provas de sua inocência. 

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Cesare Battisti se desculpou pela primeira vez pelos assassinatos cometidos na Itália nos anos 70. As declarações foram feitas durante uma entrevista concedida à agência de noticias italiana Ansa. Mas o ex-militante de extrema-esquerda continua negando a autoria dos atos. “Eu peço perdão como responsável político, e não como responsável militar”, disse ele, que nega ter tido uma participação direta nos atentados.

O ativista disse ainda que “pensar que poderia mudar as coisas pela luta armada foi um erro”, mesmo se prefere não falar de arrependimento. “Isso seria uma hipocrisia”, disse Battisti.

O militante, acusado do assassinato de quatro pessoas na década de 70, foi condenado à revelia à prisão perpétua pela justiça italiana. Na época dos crimes ele integrava o grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ele fugiu em 1981 de uma prisão italiana e viveu na França até 2004, quando o governo francês de direita autorizou sua extradição para a Itália. Battisti fugiu então para o Brasil onde foi preso em 2007 e depois libertado pela justiça brasileira, que rejeitou o pedido de extradição para a Itália.

Na entrevista, Battisti também explica sua fuga. Ele diz que essa era a única maneira de evitar uma condenação por crimes que ele afirma não ter cometido.

Alberto Torregiani, filho de um joalheiro morto em Milão em 1979 pelo PAC, reagiu às declarações do ativista. Ele pede que Battisti “mostre as provas de sua inocência, que ele reivindica há anos, mas que ninguém nunca viu”. Já Adrianno Sabbadin, filho de um açougueiro assassinado no mesmo ano em Veneza, disse que Battisti é tão responsável pelos crimes quanto os demais membros dos comandos da PAC. “Ele tem que parar de provocar e encontrar a dignidade para se calar de uma vez por todas”, declarou Sabbadin.
 

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