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Argentina/Ditadura

Astiz condenado por crimes durante ditadura argentina

Alfredo Astiz, também conhecido como o "Anjo Loiro", durante seu julgamento, em Buenos Aires.
Alfredo Astiz, também conhecido como o "Anjo Loiro", durante seu julgamento, em Buenos Aires. REUTERS/Marcos Brindicci

O ex-militar argentino Alfredo Astiz, símbolo da repressão na época da ditadura argentina, conhecido como “anjo louro da morte”, foi condenado nesta quarta-feira à prisão perpétua, por crimes de sequestro, tortura e mortes, informou o Tribunal de Buenos Aires.

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Em um processo histórico, a Justiça da Argentina condenou 16 dos 18 ex-militares julgados por sequestro, tortura e morte de 86 pessoas na famosa ESMA, a Escola Superior de Mecânica da Marinha, símbolo máximo do horror da ditadura.

Na ESMA, funcionava o principal centro clandestino de tortura por onde passaram cerca de cinco mil pessoas e poucas saíram com vida. Treze ex-repressores foram condenados à prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Os demais, a penas entre 18 e 25 anos. Dois foram absolvidos. Entre os condenados, nomes como Ricardo “Sérpico” Cavallo e Jorge “Tigre” Acosta, alguns dos carrascos do mais sanguinário regime militar na América do Sul que em apenas sete anos, de 1976 a 1983, deixou cerca de 30 mil desaparecidos, segundo organizações de direitos humanos.

A condenação mais esperada e festejada foi a do ex-capitão de Fragata, Alfredo Astiz, o chamado “anjo loiro da morte”. Os gritos populares de “Justiça” foram tantos, que a leitura da sentença foi interrompida.

Do lado de fora do tribunal, em Buenos Aires, mostrando fotografias das vítimas, milhares de militantes, parentes das vítimas, sobreviventes e Associações de Direitos Humanos, como a líder das Mães da Praça de Maio, Taty Almeida.

Ao ouvir a comemoração popular por sua condenação, Alfredo Astiz sorriu e limpou um escudo com as cores da bandeira argentina que levava no paletó. Ele já tinha condenações semelhantes à revelia na França e na Itália, países que pediam a sua extradição.

Durante o ano de1977, algumas mães, entre elas a fundadora das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, reuniam-se numa igreja e recebiam a ajuda de duas freiras francesas para encontrar uma forma de procurar pelos filhos desaparecidos. O anjo da morte usou o pseudônimo de Gustavo Niño, um suposto irmão de um desaparecido, para se infiltrar no grupo e ganhar a confiança das mães. Dessa maneira, ele organizou o seqüestro e torturou 12 pessoas do grupo. As freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet foram lançadas dopadas, mas ainda vivas, ao mar.

Na ESMA, funcionou ainda uma maternidade clandestina para as presas que davam a luz no cativeiro e cujos filhos eram sistematicamente roubados e, posteriormente, ilegalmente adotados, muitas vezes por outros militares envolvidos com a repressão.

A Argentina é o único país da América Latina a julgar e condenar os repressores da ditadura como forma de virar uma das páginas mais dolorosas da história recente deste país.

Márcio Resende, correspondente da Rádio França Internacional, em Buenos Aires.

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