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Itália/Naufrágio

Carcaça do navio Costa Concordia começa a poluir ilha de Giglio

Guarda costeira e operários tentam proteger a região em volta do Costa Concordia de um possível vazamento de combustível.
Guarda costeira e operários tentam proteger a região em volta do Costa Concordia de um possível vazamento de combustível. REUTERS/Darrin Zammit Lupi

A pequena ilha de Giglio, na Toscana, já começa a sentir o impacto ambiental do naufrágio do Costa Concordia, encalhado desde 13 de janeiro. As autoridades constataram a presença de substâncias químicas na água do mar, até então inexistentes na região. ONG diz que vazamento de combustível poderia poluir as sete ilhas do arquipélago.

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A agência de proteção ambiental da Toscana notou uma concentração de 2 a 3 mg/l de tensio-ativos no mar. Essa substância, presente habitualmente em detergentes, era inexistente na região antes do naufrágio. Segundo os especialistas, a quantidade do produto constatada essa semana é o equivalente ao encontrado em zonas de portos industriais, como em Marghera, próximo de Veneza.

Para Gaetano Benedetto, porta-voz da filial italiana da ONG ambiental WWF, “a situação ainda está sob controle, mas é perigosa para uma zona que vive do turismo e da pesca”. Segundo ele, trata-se de uma poluição concentrada e ainda não há razão para pânico, mas a situação deve ser acompanhada com atenção, já que pode haver vazamento de produtos tóxicos como líquidos de baterias, solventes e óleos. Já a ONG ambiental Legambiente tem um tom mais alarmista, e diz que em caso de vazamento, as mais de 2 mil toneladas de combustível do barco poderiam poluir não apenas Giglio, mas todo o arquipélago toscano, que conta com sete ilhas.

As autoridades italianas pediram mais uma vez a Costa Cruzeiros, proprietária do navio, que apresente um programa detalhado da recuperação dos detritos do barco. Do lado da empresa, o presidente Pier Luigi Foschi se defende, enfatizando a dificuldade da operação, “que será de uma grande complexidade”.

"Não vai ser fácil, nem rápido", diz procurador

Francesco Verusio, o procurador encarregado das investigações sobre as causas do naufrágio,anunciou nesta quinta-feira que quer ouvir a jovem da Moldávia que estava em companhia do capitão Francesco Schettino quando o navio se chocou contra um rochedo. Segundo testemunhas citadas pelas mídias italianas, Domnica Cemortan, dançarina de 25 anos que tem nacionalidades moldavia e romena, jantava com Schettino quando ocorreu o acidente e, desde então, o defende e o chama de herói. Ela disse estar pronta a depor diante da justiça.

Durante sua visita à ilha, nesta quinta, o procurador refez o percurso do Concordia a bordo de uma lancha da policia e sobrevoou a zona de helicóptero. Ele quer determinar se a manobra do navio foi voluntária e se houve negligência e imprudência graves.

Até o momento, a investigação parece se voltar contra a companhia proprietária do navio, Costa Cruzeiros, acusada pelos adovogados de ter sua parte de responsabilidade na tragédia. O procurador afirmou que, além do capitão, sob regime de prisão domiciliar, e de seu auxiliar, Ciro Ambrosio, não há outros inculpados no caso. "A investigação não será fácil, nem rápida", declarou Verusio, que também encontrou-se com famílias das vítimas, que aguardam, angustiadas, notícias dos desaparecidos.

Pessimismo nas buscas

As equipes de socorro continuam as buscas de corpos na carcaça do navio. Quase duas semanas após a catástrofe, o comissário italiano responsável pelas operações, Franco Gabrielli, diz que as chances de se encontrar sobreviventes são quase inexistentes. “Nós devemos nos preparar para aceitar a ideia de que nessas condições não há mais esperanças de (encontrar) sobreviventes”, disse ele.

O último balanço do naufrágio é de 16 mortos, dos quais apenas 13 cadáveres foram identificados. Pelo menos 16 pessoas continuam desaparecidas.

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