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Síria/ Violência

Dois jornalistas estrangeiros morrem em bombardeios na Síria

A jornalista americana Marie Colvin, morta durante violentos conflitos na Síria nesta quarta-feira.
A jornalista americana Marie Colvin, morta durante violentos conflitos na Síria nesta quarta-feira. REUTERS/Zohra Bensemra

A jornalista de guerra americana Marie Colvin e o fotojornalista francês Rémi Ochlik foram mortos nesta quarta-feira, em Homs, durante bombardeios lançados pelo regime de Bashar al Assad. O objetivo era a centro de imprensa no bairro de Baba Amr. Outros quatro jornalistas estrangeiros estão feridos.

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Marie Colvin, de 55 anos, estava a serviço do jornal britânico Sunday Times. Correspondente de guerra, especialista do mundo árabe, ela fez a cobertura de vários conflitos. Recentemente ela trabalhou na Tunísia, no Egito e na Líbia. Ela ganhou o prêmio de melhor correspondente internacional no ano de 2010 no Reino Unido.

Rémi Ochlik, 28 anos, era fotógrafo da agência IP3 Presse. Suas fotos foram publicadas pela revista francesa Paris-Match, pela Time Magazine e pelo Wall Street Journal. Ele ganhou o prêmio World Press 2012 por seu trabalho na Líbia.

A informação foi dada pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos e confirmada pelo ministro francês da Cultura Fréderic Mitterrand.

O jornal Le Figaro indicou que a jornalista Edith Bouvier estava entre os feridos e que estavam providenciando sua evacuação. Militantes anti-governo afirmaram que a remoção dos corpos do centro de imprensa era muito dificil, por causa dos bombardeios incessantes e da presença de atiradores.

Gilles Jacquier foi o primeiro jornalista estrangeiro morto na Síria. O francês morreu no dia 11 de janeiro, também em Homs, durante uma viagem autorizada pelas autoridades sírias, que restringiram drasticamente o movimento de jornalistas no país. Não foi possível estabelecer se a bomba que o matou foi atirada pelos rebeldes ou pelo Exército sírio.

A comunidade internacional pediu às autoridades do país que garantam a proteção dos jornalistas no território.

Além dos jornalistas, pelo menos 13 civis sírios foram mortos na quarta-feira em bombardeios em Homs, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. A cidade vem sendo bombardeada de maneira incessante desde o dia 4 de fevereiro.

França pede acesso para socorrer feridos

A França pediu à Síria um acesso seguro para socorrer as vítimas dos bombardeios. “Após as informações que recebemos de Homs, que um grupo de jornalistas tinha sido vítima de bombardeios, eu peço ao governo sírio que pare imediatamente os ataques e respeite as obrigações humanitárias”, disse o ministro de Relações exteriores francês Alain Juppé, em um comunicado.

“Eu pedi a nossa embaixada em Damasco que exija das autoridades sírias um acesso seguro e medicalizado para socorrer as vítimas com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha”, declarou o ministro.

Ele também afirmou que convocou a embaixadora da Síria em Paris para falar destas exigências e sublinhar que o comportamento do governo sírio é intolerável.

O ministro também afirmou que mais que nunca a França está determinada a agir para deter a repressão selvagem da qual o povo sírio é vítima.

“A França quer saber o que está acontecendo exatamente e que constitui uma demonstração suplementar da degradação da situação na Síria” e uma “repressão que é cada vez mais intolerável”, declarou Juppé.

Drama humanitário

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pressiona o regime do ditador Bashar Al-Assad a respeitar uma trégua de duas horas por dia nos bombardeios para que a população possa sair de casa para comprar alimentos e os feridos possam receber atendimento médico.

Ongs estimam que em 11 meses de revolta, 7.600 pessoas, a maioria civis, morreram na Síria. Dois jornalistas ocidentais teriam sido mortos nos bombardeios a Homs, segundo um militante, e outros três ou quatro estão feridos.
 

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